Adolescente, masculino, 12 anos, apresenta cefaleia occipital há cerca de 30 dias. Pais hipertensos em uso de medicação. Exame físico: normal, PA: 128x85 mmHg em membro superior direito, peso e estatura no percentil 50. Após 2 horas da administração analgésica, já sem cefaleia, a PA é 125×85 mmHg. "valores de referência para idade, sexo e percentil estatural são: percentil 90 117x75 mmHg; percentil 95 121x78 mmHg". A hipótese diagnóstica é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, vamos olhar a idade do nosso paciente. É um adolescente de 12 anos. Isso é fundamental porque os valores de pressão arterial variam muito com a idade e precisamos da tabela correta.
- Ele apresenta cefaleia há 30 dias, mas que cedeu com analgésico. Isso nos mostra que a dor de cabeça não é um sintoma persistente da hipertensão, mas sim um motivo para a consulta, e que a dor não está falseando a medida da pressão arterial.
- A história familiar é bem relevante: os pais são hipertensos e usam medicação. Isso aumenta a chance de uma hipertensão primária no filho, um dado importante para a hipótese diagnóstica.
- O exame físico ser normal é importante, pois afasta sinais óbvios de causas secundárias de hipertensão, como doenças renais ou endócrinas, direcionando nosso raciocínio.
- A primeira medida da pressão arterial foi 128 por 85 milímetros de mercúrio. Já de cara, vemos que está acima dos percentis de referência que serão dados, indicando uma elevação.
- O peso e a estatura no percentil 50 nos dizem que ele tem um desenvolvimento adequado para a idade, o que é usado para ajustar as tabelas de pressão arterial e garantir a correta classificação.
- Depois de duas horas e sem a cefaleia, a pressão arterial ainda estava elevada, em 125 por 85 milímetros de mercúrio. Isso sugere que a elevação não foi pontual e não estava ligada à dor de cabeça.
- Os valores de referência para a idade, sexo e percentil estatural são cruciais: o percentil 90 é 117 por 75 milímetros de mercúrio e o percentil 95 é 121 por 78 milímetros de mercúrio. Isso nos permite classificar as medidas do paciente.
- Comparando as medidas do paciente (128 por 85 e 125 por 85 milímetros de mercúrio) com os valores de referência, percebemos que ambas as pressões estão acima do percentil 95 para a idade, sexo e estatura dele.
- Uma única medida elevada não é suficiente para o diagnóstico definitivo de hipertensão arterial, mas é o suficiente para levantar a hipótese e indicar a necessidade de confirmação.
- A história familiar de hipertensão nos pais é um forte indício para pensarmos em uma etiologia primária, ou seja, sem uma causa secundária identificável.
- A alternativa B, "Normotensão", está incorreta porque as medidas de pressão arterial do paciente (128 por 85 e 125 por 85 milímetros de mercúrio) são claramente superiores ao percentil 95 (121 por 78 milímetros de mercúrio), que é o limite da normalidade.
- A alternativa C, "Hipertensão secundária", está incorreta porque, embora sempre deva ser considerada, o enunciado não nos dá nenhuma pista específica, como alterações no exame físico ou outros sintomas, que sugiram uma causa secundária para a hipertensão neste caso.
- A alternativa D, "Hipertensão em estágio 2", está incorreta. Para ser estágio 2, a pressão arterial deveria ser igual ou superior ao percentil 95 mais 12 milímetros de mercúrio, ou 140 por 90 milímetros de mercúrio, o que não se aplica aos valores do nosso paciente.
- A alternativa A, "Hipertensão arterial primária", é a hipótese diagnóstica mais provável. As medidas de pressão arterial estão elevadas (acima do percentil 95), e a história familiar positiva para hipertensão apoia fortemente essa etiologia, mesmo que o diagnóstico definitivo exija mais avaliações.
- Em um adolescente de 12 anos, com pressão arterial acima do percentil 95 e história familiar de hipertensão, pense sempre em hipertensão arterial primária como a principal hipótese diagnóstica.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hipertensão arterial na infância e adolescênciaSBP, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.