Lactente de 4 meses, masculino, nascido a termo e com peso adequado para idade gestacional, previamente hígido, é trazido ao pronto atendimento com história de febre de 38 a 38,5 °C há um dia. Nega coriza, tosse, diarreia ou vômitos. A mãe refere que ele está com boa sucção ao seio materno. O exame físico está normal. A urina tipo 1 evidenciou com 58 mil leucócitos/mL, sem hematúria e com nitrito positivo. Foi enviada amostra para urocultura. De acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual o tratamento mais adequado para essa criança?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um lactente de quatro meses, o que já nos alerta para a necessidade de atenção redobrada, pois infecções em bebês pequenos podem ser mais graves.
- Ele é previamente hígido, ou seja, não tinha nenhuma doença anterior, o que é um bom sinal, mas não exclui a possibilidade de uma infecção séria.
- A mãe relata febre de 38 a 38,5 graus Celsius há um dia, o que é um sintoma importante e inespecífico em crianças pequenas, mas que sempre merece investigação.
- É crucial notar que não há outros sintomas comuns de infecções virais, como coriza, tosse, diarreia ou vômitos, o que nos faz pensar em outras causas para a febre.
- Apesar da febre, a criança está com boa sucção ao seio materno e o exame físico está normal, indicando que ela está em bom estado geral e não parece gravemente doente.
- O exame de urina tipo 1 mostrou 58 mil leucócitos por mililitro e nitrito positivo, achados que são muito sugestivos de infecção do trato urinário.
- Uma amostra para urocultura foi enviada, o que é a conduta correta para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento definitivo.
- Com todos esses dados, temos um lactente febril, sem foco aparente, mas com exame de urina alterado, sugerindo uma infecção do trato urinário.
- Como a criança está em bom estado geral, com boa sucção e exame físico normal, podemos considerar um tratamento oral, desde que o antibiótico escolhido seja adequado para cobrir os principais uropatógenos e a criança o tolere bem.
- A alternativa A, Metronidazol oral, está incorreta porque o metronidazol não é eficaz contra as bactérias aeróbias que mais comumente causam infecção urinária.
- A alternativa B, Nitrofurantoína oral, também está incorreta. Embora seja usada para infecções urinárias baixas, a nitrofurantoína não atinge concentrações adequadas nos rins para tratar uma pielonefrite, que é a principal preocupação em um lactente febril com ITU.
- A alternativa C, Amicacina intramuscular, é incorreta porque, apesar de aminoglicosídeos parenterais serem uma opção, eles não são obrigatórios para toda criança estável com infecção urinária febril.
- A alternativa E, Gentamicina endovenosa, está incorreta pelo mesmo motivo da amicacina. A via intravenosa é reservada para casos mais graves ou quando a criança não tolera a via oral, o que não é o caso aqui.
- A alternativa D, Cefuroxime oral, é a correta. Cefalosporinas de segunda ou terceira geração, como a cefuroxima, são opções adequadas para o tratamento oral de infecção do trato urinário febril em crianças estáveis, considerando a idade e a sensibilidade local.
- Então, em uma criança pequena com febre e infecção do trato urinário, mas que está em bom estado geral, pense sempre na possibilidade de tratamento oral com um antibiótico de amplo espectro que cubra os uropatógenos comuns.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevençãoSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.