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Pediatrando

Caso Clínico: Menina, 7 anos, previamente saudável, é trazida pelos pais à Unidade de Pronto Atendimento de um hospital secundário devido à fadiga intensa há 3 dias, com piora progressiva. Nas últimas 24 horas, tornou-se muito sonolenta, com respiração rápida e profunda, descrita pelos pais como "barulhenta" e "ofegante". Apresenta também dor abdominal difusa, náuseas e vômitos repetidos. Os pais negam tosse, febre e diarreia, mas relatam que a criança perdeu peso nas últimas semanas, apesar do aumento de apetite. Relatam aumento da ingesta de água e diurese abundante. Ao exame físico, a criança encontra-se sonolenta, despertando com comandos verbais dos pais (Glasgow 13); mucosas secas; olhos encovados; FR 36 irpm, FC 138 bpm, PA 92 x 60 mmHg, SatO₂ 98% em ar ambiente; temperatura axilar 36,3 °C e enchimento capilar 2 segundos. Glicemia Capilar: 302 mg/dl (limites de normalidade: 70 a 105 mg/dl) pH arterial: 7,12 (limites de normalidade: 7,35 a 7,45) Bicarbonato: 9 mEq/L (limites de normalidade: 22 a 26 mEq/L) Lactato: 1,2 mmol/L (limites de normalidade: 0,5 a 2,2 mmol/L) Creatinina: 0,5 mg/dL (limites de normalidade: 0,3 a 0,9 mg/dL) Ureia: 32 mg/dL (limites de normalidade: 11 a 38 mg/dL) Sódio: 132 mEq/L (limites de normalidade: 135 a 145 mEq/L) Potássio: 4,8 mEq/L (limites de normalidade: 3,4 a 5,0 mEq/L) Leucócitos totais: 15.200/mm³ (limites de normalidade: 5.000 a 14.500/mm³) Plaquetas: 150.000/mm³ (limites de normalidade: 150.000 a 400.000/mm³) Considerando-se o caso, qual é a conduta terapêutica indicada?

Tabela de exames do enunciado transcrita em linhas (uma por exame).

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Resposta: B

  1. A) Administrar bolus inicial de insulina, iniciar infusão de solução cristaloide de 10 a 20 mL/kg e reposição de bicarbonato.

    Bolus de insulina não é recomendado em criança (precipita hipoglicemia, hipocalemia e queda brusca da osmolaridade, ligada ao edema cerebral) e bicarbonato só se cogita com pH abaixo de 6,9 e instabilidade hemodinâmica, o que não é o caso.

  2. B) Administrar 10 a 20 mL/kg de solução cristaloide em 1 hora e, após reposição volêmica, iniciar infusão contínua de insulina intravenosa, com reposição de potássio.

    Cristaloide isotônico 10 a 20 mL/kg em 1 hora corrige a hipovolemia; a insulina contínua (0,05 a 0,1 U/kg/h) entra após essa hora e o potássio, em 4,8 e prestes a cair com a insulina e a correção da acidose, é reposto a 40 mEq/L assim que há diurese.

  3. C) Administrar infusão contínua de insulina e iniciar solução cristaloide 10 a 20 mL/kg, podendo totalizar 40 a 60 mL/kg, com reposição de potássio.

    Iniciar insulina junto com o volume, sem esperar a primeira hora de expansão, acelera a queda da osmolaridade e aumenta o risco de edema cerebral; 40 a 60 mL/kg só se justificam em choque, ausente aqui (PA e enchimento capilar normais).

  4. D) Administrar 10 a 20 mL/kg de solução coloide em 1 hora e, após reposição volêmica, iniciar infusão contínua de insulina intravenosa, sem reposição de potássio.

    Coloide não tem papel na expansão da cetoacidose, e omitir potássio é perigoso: a insulina e a correção da acidose empurram o K para dentro da célula e a hipocalemia pode causar arritmia fatal.

Resumo para lembrar

Na cetoacidose diabética (glicemia acima de 200, pH abaixo de 7,3 ou bicarbonato abaixo de 18, cetose) a sequência é cristaloide isotônico 10 a 20 mL/kg na primeira hora, insulina regular contínua 0,05 a 0,1 U/kg/h só depois dessa hora e sem bolus, e potássio na hidratação assim que houver diurese e K abaixo de 5,5.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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