Criança de 8 anos é trazida ao pronto-socorro com dor abdominal, há 24 horas, iniciada em região periumbilical e migrando para o quadrante inferior direito. Apresenta febre de 38,5°C, anorexia e náuseas. Ao exame físico, observa-se dor e discreta defesa em fossa ilíaca direita, sem sinais claros de irritação peritoneal difusa. Os ruídos hidroaéreos estão diminuídos, mas presentes. Leucograma: 13.500 células/mm³ com 82 % de neutrófilos. Ultrassonografia abdominal evidencia linfonodos mesentéricos aumentados, apêndice de calibre normal (< 6 mm) e ausência de líquido livre. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico provável e a conduta imediata:
O verbo evidenciar não leva acento; evidência é o substantivo. Falta o acento de hematúria.
Atenção
A clínica (dor migratória, anorexia, febre, defesa em fossa ilíaca direita, leucocitose com neutrofilia) é clássica de apendicite, e a C tem defensores. O gabarito A se sustenta porque o ultrassom visualizou apêndice normal e linfonodos aumentados, mas a observação deve ser ativa, com reexames seriados e avaliação cirúrgica se a dor persistir. Esta questão está disponível para estudo, sem entrar na taxa de acertos.
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Resposta: A
A) Adenite mesentérica; conduta expectante com observação clínica e analgesia.
O ultrassom visualizou apêndice de calibre normal (menos de 6 mm), sem líquido livre, e mostrou linfonodos mesentéricos aumentados, o que torna a adenite mesentérica o diagnóstico provável. A conduta é analgesia e observação ativa, de preferência hospitalar, com reexames seriados; como a clínica é típica de apendicite, dor que persiste ou piora pede reavaliação cirúrgica e nova imagem.
B) Gastroenterite viral aguda, iniciar antibiótico empírico de amplo espectro.
Gastroenterite viral cursa com vômitos e diarreia e dor difusa em cólica; dor que migra e se localiza na fossa ilíaca direita com defesa não combina, e antibiótico empírico não se indica em gastroenterite viral.
C) Apendicite aguda; encaminhar para avaliação cirúrgica imediata.
Dor migratória para a fossa ilíaca direita, anorexia, febre, defesa localizada e leucocitose com neutrofilia pontuam alto nos escores de apendicite (PAS em torno de 8). O que a torna menos provável é o ultrassom com apêndice visualizado e normal; sem essa imagem, a avaliação cirúrgica imediata seria a conduta.
D) Púrpura de Henoch-Schönlein; iniciar corticoide e investigar hematúria.
Vasculite por IgA (púrpura de Henoch-Schönlein) causa dor abdominal em cólica, mas o diagnóstico exige púrpura palpável em membros inferiores e nádegas, ausente aqui, muitas vezes com artrite. Corticoide não é rotina; fica para dor abdominal intensa.
Intussuscepção predomina entre 3 meses e 3 anos, com dor em cólica intermitente, vômitos, fezes em geleia de framboesa e imagem em alvo no ultrassom. A redução é por enema hidrostático ou pneumático guiado por imagem, não por enema baritado.
Resumo para lembrar
Adenite mesentérica imita apendicite: dor em fossa ilíaca direita, febre e leucocitose, muitas vezes após infecção viral. Ultrassom que visualiza apêndice com menos de 6 mm, sem líquido livre, e linfonodos mesentéricos aumentados sustenta o diagnóstico; a conduta é analgesia e observação com reexame seriado, e dor persistente ou peritonite pedem reavaliação cirúrgica.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.