- A) Doença de Wilson; confirmada pela dosagem de ceruloplasmina sérica diminuída e anel de Kayser-Fleischer.
Wilson deve ser lembrada na hepatite aguda acima de 3 a 5 anos, mas não se confirma assim: a ceruloplasmina pode estar normal na inflamação aguda, e o anel de Kayser-Fleischer costuma faltar na forma hepática da criança. O diagnóstico usa o escore de Leipzig, com cobre urinário de 24 horas, cobre hepático e estudo genético.
- B) Mononucleose infecciosa pelo Vírus Epstein-Barr (EBV); confirmada por sorologia IgM anti-VCA positiva.
Febre, mal-estar e hepatite colestática em escolar são compatíveis com infecção pelo EBV, que acomete o fígado em boa parte dos casos, em geral com elevação moderada das aminotransferases e icterícia em até 5 a 10%. O exame confirmatório é a sorologia específica, com IgM anti-VCA positiva e anti-EBNA negativo, útil em qualquer idade, ao contrário do monoteste, pouco sensível em crianças pequenas.
- C) Hepatite autoimune tipo 1; confirmada por anticorpos antimúsculo liso e FAN positivos.
A hepatite autoimune tipo 1 pode abrir como hepatite aguda, mas FAN e antimúsculo liso positivos apenas sustentam a suspeita. O diagnóstico exige IgG elevada, exclusão de outras causas e biópsia hepática com hepatite de interface, integrados em escores.
- D) Hepatite medicamentosa; confirmada por aumento isolado de GGT e história de uso de paracetamol.
Paracetamol causa lesão hepatocelular, com aminotransferases muito elevadas, e não aumento isolado de GGT; o diagnóstico usa a história de ingestão e o nível sérico no nomograma. O enunciado não traz exposição a medicamentos.
- E) Leptospirose aguda; confirmada por sorologia IgM anti-Leptospira positiva e exposição a água contaminada.
A IgM anti-Leptospira confirma leptospirose, mas o quadro não se encaixa: na forma ictérica (Weil), a bilirrubina é muito alta com aminotransferases pouco elevadas (em geral abaixo de 5 vezes o normal), com insuficiência renal, plaquetopenia e mialgia de panturrilhas, após exposição a enchente, ausente no caso.
Resumo para lembrar
Na hepatite aguda da criança, além dos vírus hepatotrópicos (A, B e E), o diagnóstico diferencial inclui Epstein-Barr, citomegalovírus, hepatite autoimune, doença de Wilson (acima de 3 a 5 anos) e drogas. A hepatite pelo EBV costuma ser leve e colestática e se confirma com IgM anti-VCA; Wilson e hepatite autoimune exigem escores com vários exames, não um marcador isolado.