Criança, sexo feminino, branca, 1 ano e 2 meses de idade, apresenta febre de até 39,5 °C há um dia, sem outros sintomas. Há cerca de uma hora, apresentou crise convulsiva tônico clônica generalizada com duração de 4 minutos na vigência de febre, sendo levada ao hospital. Foi admitida já fora da crise, alerta e sem alterações no exame físico. Paciente previamente hígida, com vacinação em dia, tem antecedente familiar de irmão e pai com histórico de crises convulsivas na vigência de febre até os cinco anos de idade. Frente aos dados apresentados, a conduta indicada para a paciente é
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança de um ano e dois meses de idade. Essa idade é importante porque lactentes e crianças pequenas têm apresentações de doenças diferentes e maior risco para certas infecções, como a urinária, que pode ser um foco febril.
- Ela apresenta febre de até 39,5 graus Celsius há um dia. A febre é o gatilho para a crise convulsiva febril, e a duração de um dia nos alerta para a necessidade de buscar a causa dessa febre.
- A criança teve uma crise convulsiva tônico clônica generalizada com duração de quatro minutos. O tipo de crise e a duração são compatíveis com uma crise febril simples, que geralmente dura menos de quinze minutos e é generalizada.
- É crucial notar que ela foi admitida já fora da crise, alerta e sem alterações no exame físico. Isso indica uma recuperação completa pós-ictal, o que reforça a hipótese de uma crise febril simples e afasta outras condições neurológicas mais graves que poderiam deixar sequelas imediatas.
- Por fim, a paciente tem um antecedente familiar de irmão e pai com histórico de crises convulsivas na vigência de febre até os cinco anos de idade. A história familiar positiva é um fator de risco importante para crises febris, o que corrobora ainda mais o diagnóstico de crise febril simples.
- Juntando todos esses dados, temos uma criança com idade entre seis meses e cinco anos, que apresentou uma crise convulsiva tônico clônica generalizada de curta duração, associada à febre, com recuperação completa e histórico familiar positivo. Isso nos leva ao diagnóstico de crise convulsiva febril simples.
- Em casos de crise febril simples, a investigação neurológica extensa, como punção lombar ou neuroimagem, não é rotineiramente indicada. O foco principal da conduta deve ser a busca pela causa da febre.
- Considerando a idade da criança, um ano e dois meses, e o sexo feminino, há um risco aumentado para infecção do trato urinário como foco da febre. Por isso, a investigação urinária é prioritária.
- Analisando a alternativa A, que sugere coletar eletrólitos, glicemia capilar e hemograma. Esses exames não são rotineiramente indicados para uma crise febril simples, a menos que haja outros sinais clínicos que sugiram desequilíbrios metabólicos ou infecção bacteriana grave. O resumo nos diz que exames metabólicos dependem da clínica.
- A alternativa C propõe realizar ultrassom transfontanela e eletroencefalograma. O eletroencefalograma e o ultrassom transfontanela não são exames rotineiros após uma crise febril simples, especialmente quando a criança se recupera completamente e não apresenta déficits neurológicos. O comentário reforça que não são rotineiros após recuperação completa.
- A alternativa D sugere manter observação hospitalar por vinte e quatro horas, sem exames. Embora a observação seja importante, ela não substitui a investigação da causa da febre, que é o principal objetivo. O comentário indica que a observação não substitui investigar o foco febril, especialmente na idade e contexto desta paciente.
- Por fim, a alternativa B indica coletar urina tipo um e urocultura por sondagem vesical. Dada a idade da criança, um ano e dois meses, e o sexo feminino, a infecção do trato urinário é uma causa comum de febre oculta e deve ser investigada. A coleta por sondagem vesical é o método mais adequado para obter uma amostra estéril de urina em lactentes que ainda não controlam o esfíncter. O resumo e o raciocínio anterior apoiam essa conduta.
- Então, para uma criança de um ano e dois meses, com crise convulsiva febril simples, pense sempre em investigar o foco da febre, especialmente a infecção do trato urinário, que é comum nessa faixa etária e sexo.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Febrile seizure — avaliação e manejoRoyal Children's Hospital, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.