Lactente de sete meses da entrada no pronto socorro com relato de febre há 36 horas e dois episódios de convulsão focal na última noite. Está em tratamento de otite média aguda. A mãe informa que as crises duraram cerca de cinco minutos. Realizada punção lombar que mostrou 4 leucócitos/mm³ (100% linfócitos), glicose: 66mg/dL (glicemia capilar no momento da coleta: 92mg/dL) e proteínas 24mg/dL. Em relação ao caso, assinale o diagnóstico MAIS PROVÁVEL:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um lactente de sete meses. Essa idade é importante porque a convulsão febril é mais comum nessa faixa etária, geralmente entre os seis meses e os cinco anos.
- Ele deu entrada no pronto-socorro com febre há 36 horas. A febre é o gatilho para a convulsão febril, e a duração indica que a doença de base está em curso.
- O paciente teve dois episódios de convulsão focal na última noite. O fato de serem dois episódios e focais já nos acende um alerta para a complexidade da crise.
- A mãe informa que as crises duraram cerca de cinco minutos cada. Embora a duração seja curta, o critério de recorrência e focalidade já classificam a crise como complexa, independentemente da duração individual.
- Ele está em tratamento de otite média aguda, o que nos dá uma causa para a febre. É uma infecção comum em crianças pequenas.
- Foi realizada uma punção lombar que mostrou quatro leucócitos por milímetro cúbico, sendo 100 por cento linfócitos, glicose de 66 miligramas por decilitro com glicemia capilar de 92 miligramas por decilitro, e proteínas de 24 miligramas por decilitro. Esses valores são importantes para descartar outras condições graves.
- Agora, vamos conectar esses achados. Temos um lactente com febre e convulsões. A idade e a presença de febre nos direcionam para o diagnóstico de convulsão febril.
- No entanto, as crises foram focais e se repetiram em um curto período, na mesma noite. Esses são critérios que definem uma convulsão febril como complexa.
- Além disso, o resultado da punção lombar, com um líquor praticamente normal, afasta uma meningite bacteriana como causa das convulsões.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa D sugere meningite de etiologia bacteriana cujo foco foi a otite média. O líquor descrito não favorece meningite bacteriana, pois os achados são de um líquor normal ou viral, não bacteriano.
- A alternativa C propõe epilepsia por apresentar pelo menos duas crises. Duas crises na mesma doença febril não estabelecem automaticamente epilepsia. A epilepsia é definida por crises não provocadas ou por condições específicas, o que não se aplica aqui, já que as crises foram provocadas pela febre.
- A alternativa B afirma que é uma convulsão febril simples, pois a duração das crises foi menor que 15 minutos. A duração curta não anula o critério de complexidade pela recorrência das crises e pela focalidade. Para ser simples, a crise deve ser generalizada, única e com duração menor que 15 minutos.
- Por fim, a alternativa A, que é a correta, diz que é uma convulsão febril complexa, pois as crises se repetiram em 24 horas. Exatamente! A recorrência de crises em menos de 24 horas, ou a presença de focalidade, ou uma duração maior que 15 minutos, classifica a convulsão febril como complexa. Nosso paciente teve dois episódios focais na mesma noite.
- Para revisar rapidamente: uma criança de sete meses com febre e convulsões focais e recorrentes, mesmo que de curta duração, deve sempre nos fazer pensar em convulsão febril complexa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Febrile seizure — avaliação e manejoRoyal Children's Hospital, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.