Pular para o conteúdo
Pediatrando

Um bebê de 2 meses é levado por sua mãe ao pronto atendimento do hospital de referência da região. Ela apresenta queixa de que seu filho não está movendo as pernas e de que chora muito durante as trocas de fralda. A mãe nega que ele tenha sofrido traumas, violência ou que tenha tido febre. O lactente nasceu com 36 semanas, em parto domiciliar sem intercorrências. A gestação transcorreu sem acompanhamento pré-natal. Também não foi realizado teste do pezinho (triagem neonatal). Ao exame físico, nota-se: lactente choroso, hipocorado, ictérico, sem lesões cutâneas. Ao exame ocular, constata-se reflexo vermelho translúcido e simétrico. Os exames dos aparelhos respiratório e cardiovascular apresentam-se sem alterações. Seu abdome está globoso, com fígado palpável a 3,5 cm do rebordo costal direito. Com relação ao desenvolvimento neuropsicomotor, nota-se que o paciente observa o rosto do médico durante a conversa, eleva a cabeça em prono, não abre as mãos, não sorri quando estimulado e reage ao som, mas não os emite. A seguir, pode-se observar o resultado da radiografia dos membros inferiores, realizada após esse atendimento inicial.

Imagem da questão — INEP 2024/1, questão 168

Considerando-se o caso clínico e a propedêutica disponível, quais são, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta médica mais adequada nessa situação?

Ver o gabarito comentado

Resposta: B

  1. A) Hepatite neonatal; solicitar ultrassonografia de abdome total.

    Hepatite neonatal explicaria icterícia e hepatomegalia, mas não a dor à manipulação dos membros com imobilidade nem as lesões ósseas metafisárias e periosteais da radiografia.

  2. B) Sífilis congênita; solicitar sorologia e iniciar penicilina cristalina.

    Sem pré-natal, icterícia, hepatomegalia, pseudoparalisia de Parrot e osteocondrite metafisária com periostite ao raio X compõem sífilis congênita precoce; colhem-se VDRL, LCR e hemograma e inicia-se penicilina cristalina por 10 dias sem esperar sorologia.

  3. C) Síndrome do bebê sacudido; proceder à notificação de violência.

    Trauma craniano abusivo produz hemorragia retiniana, hematoma subdural e fraturas de padrão específico; reflexo vermelho normal, icterícia e hepatomegalia com lesões metafisárias simétricas apontam para doença sistêmica, não violência.

  4. D) Hipotireoidismo com atraso de desenvolvimento; pedir exames de TSH e T4.

    Hipotireoidismo congênito cursa com icterícia prolongada, hipotonia e letargia, sem dor à manipulação nem periostite; a triagem não feita justifica dosar TSH depois, mas não é o diagnóstico que explica o quadro.

Resumo para lembrar

Sífilis congênita precoce: sem pré-natal, icterícia, hepatomegalia, pseudoparalisia de Parrot e radiografia com periostite e bandas metafisárias. Colhem-se VDRL do bebê e da mãe, LCR e hemograma; penicilina cristalina 50.000 UI/kg/dose por 10 dias se há neurossífilis ou LCR não avaliável, procaína se o LCR é normal.

Reportar
Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Questões do mesmo tema