Mãe G3P2, assintomática, com pré-natal irregular, em consulta de 3º trimestre, com IG = 32 semanas, apresentou VDRL 1:16. Na mesma consulta, já foi prescrita e realizada penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM. A gestante recebeu a orientação de retorno semanal para outras 2 doses e, assim, completar o esquema de tratamento. Com 37 semanas e 3 dias, entrou em trabalho de parto. Verificado no cartão, paciente recebeu as 3 doses de benzetacil prescritas. RN, sexo masculino, nasceu de parto normal, não precisou de manobras de reanimação, PN = 2.650 gramas. Foi encaminhado ao alojamento conjunto com a mãe. A respeito do seguimento desse lactente, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Primeiro, a mãe tinha um pré-natal irregular, o que já acende um alerta para possíveis complicações ou diagnósticos tardios.
- O diagnóstico de sífilis foi feito no terceiro trimestre, com 32 semanas de gestação, e o VDRL de 1 para 16 indica uma infecção ativa que precisa de tratamento.
- Ela recebeu a primeira dose de penicilina benzatina de 2,4 milhões de unidades internacionais por via intramuscular, o que é o tratamento padrão.
- A orientação foi para mais duas doses semanais, completando o esquema de três doses, que é o recomendado para sífilis tardia ou de duração indeterminada.
- O parto ocorreu com 37 semanas e 3 dias de gestação, e é importante notar que ela realmente recebeu todas as três doses prescritas.
- Agora, vamos ao raciocínio. Para saber se o tratamento materno foi adequado, precisamos calcular o intervalo entre a última dose de penicilina e o parto.
- A primeira dose foi com 32 semanas, a segunda com 33 semanas e a terceira com 34 semanas. O parto foi com 37 semanas e 3 dias. Isso nos dá um intervalo de aproximadamente 3 semanas e 3 dias entre a última dose e o parto.
- Para o tratamento ser considerado adequado, a última dose de penicilina benzatina deve ter sido administrada pelo menos 30 dias, ou seja, quatro semanas, antes do parto.
- Como o intervalo foi de apenas 3 semanas e 3 dias, que é menos de 30 dias, o tratamento materno é considerado inadequado para prevenir a sífilis congênita.
- Se o tratamento materno foi inadequado, o recém-nascido precisa ser investigado para sífilis congênita, independentemente de ter nascido aparentemente saudável.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere coletar VDRL do cordão umbilical do recém-nascido. Isso está errado porque o sangue do cordão pode estar contaminado com sangue materno, o que dificulta a interpretação do resultado.
- A alternativa C afirma para considerar a mãe adequadamente tratada. Como vimos, o tratamento foi inadequado, pois o intervalo entre a última dose e o parto foi menor que 30 dias. Considerar o tratamento adequado sem cumprir os critérios pode levar a não investigar a sífilis congênita.
- A alternativa D também começa considerando a mãe adequadamente tratada, o que já está incorreto. Além disso, ela sugere penicilina benzatina em dose única se o VDRL do recém-nascido for pelo menos duas diluições maior que o materno, o que não é o tratamento apropriado para um recém-nascido de mãe com tratamento inadequado.
- A alternativa B é a correta. Ela corretamente considera a mãe não adequadamente tratada, o que exige a avaliação do recém-nascido. A coleta do VDRL deve ser feita de sangue periférico do recém-nascido, que é a amostra adequada. E a investigação completa inclui hemograma, raio-X de ossos longos e coleta de líquido cefalorraquidiano, conforme as diretrizes para sífilis congênita em casos de tratamento materno inadequado.
- Para revisar rapidamente, em um recém-nascido de mãe com sífilis tratada, mas com a última dose de penicilina administrada menos de 30 dias antes do parto, pense sempre em tratamento materno inadequado e na necessidade de investigação completa do recém-nascido para sífilis congênita.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT para prevenção da transmissão vertical — sífilis congênitaMinistério da Saúde, 2020 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.