Adolescente, masculino, 12 anos é levado à emergência por tosse e dificuldade de respirar. Relata dois episódios iguais em quatro meses, com "sensação do coração estar saindo pela boca". Nega desmaios ou síncopes. HPP: asma controlada. Exame físico: algo agitado, olhar ansioso ACV: FC; 220 bpm, PA: 120 x 70 mm Hg, enchimento capilar: 2 segundos. AR: FR: 48 irpm, sibilos bilaterais. Abdômen: fígado e baço não palpados. Foi inicialmente tratado com broncodilatador inalatório com melhora da tosse, mas persistindo o mal-estar. Um ECG foi obtido e o diagnóstico é:

O ECG foi incluído em outubro de 2026 e confirma o gabarito D pela pré-excitação (onda delta) no traçado; a questão termina a revisão para voltar a contar na taxa de acertos. Esta questão está disponível para estudo, sem entrar na taxa de acertos.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de pediatria, que é bem interessante e nos faz pensar em arritmias cardíacas na adolescência.
- Temos um adolescente, do sexo masculino, de doze anos de idade, o que já nos dá uma faixa etária importante para os valores de referência da frequência cardíaca.
- Ele chega à emergência com tosse e dificuldade de respirar, mas o mais relevante é o histórico de dois episódios semelhantes nos últimos quatro meses...
- E essa sensação de que o coração está batendo muito forte, que ele descreve como o coração saindo pela boca, o que sugere palpitações intensas.
- A história pregressa de asma controlada é um dado, mas o enunciado deixa claro que ela está sob controle, então talvez não seja o foco principal.
- No exame físico, o dado mais gritante é a frequência cardíaca de 220 batimentos por minuto, que é muito elevada para um adolescente de doze anos.
- Ele também apresenta sibilos bilaterais, o que pode nos confundir com uma crise asmática, mas a frequência cardíaca é desproporcional.
- E, de fato, o tratamento com broncodilatador inalatório melhorou a tosse, mas o mal-estar persistiu, indicando que a causa principal não era a asma.
- Por fim, um eletrocardiograma foi obtido, e é a partir dele que faremos o diagnóstico, como o enunciado nos direciona.
- A frequência cardíaca de 220 batimentos por minuto em um adolescente de doze anos é um sinal de alerta para uma taquicardia supraventricular ou ventricular, e não apenas uma resposta fisiológica.
- A recorrência dos episódios e a sensação de palpitações reforçam a hipótese de uma arritmia cardíaca subjacente.
- O fato de o broncodilatador não ter resolvido o mal-estar principal afasta a crise de asma como o problema central, mesmo com os sibilos.
- Portanto, o diagnóstico definitivo dependerá da análise do eletrocardiograma, que o enunciado nos diz que foi obtido.
- A alternativa A, taquicardia sinusal, é incorreta porque uma frequência de 220 batimentos por minuto é muito alta para ser sinusal em um adolescente, e o resumo nos diz que ela raramente passa de 200 batimentos por minuto.
- Além disso, o eletrocardiograma, que não está visível aqui, mas é a base para o diagnóstico, não mostraria uma onda delta em uma taquicardia sinusal.
- A alternativa B, bloqueio Mobitz tipo I, está errada porque essa é uma bradiarritmia, ou seja, causa uma frequência cardíaca baixa, com pausas, e não uma taquicardia de 220 batimentos por minuto.
- A alternativa C, taquicardia ventricular monomórfica, também é incorreta. O eletrocardiograma, conforme o comentário, mostra onda P antes de cada QRS e um ritmo regular, o que não é típico de uma taquicardia ventricular.
- A taquicardia ventricular geralmente apresenta complexos QRS largos e rápidos, dissociados da onda P, o que não se encaixa na descrição implícita do eletrocardiograma para este caso.
- A alternativa D, síndrome de Wolff-Parkinson-White, é a correta. O gabarito oficial está em revisão, mas o eletrocardiograma que foi incluído confirma esta resposta.
- A síndrome de Wolff-Parkinson-White é caracterizada pela pré-excitação ventricular, que se manifesta no eletrocardiograma basal com um intervalo PR curto e a presença de uma onda delta, que é o início lento e encurvado do complexo QRS.
- Somando-se a isso, as crises recorrentes de taquicardia com 220 batimentos por minuto, como as descritas no caso, são típicas da taquicardia supraventricular por reentrada atrioventricular, que é a arritmia mais comum na síndrome de Wolff-Parkinson-White.
- Então, criança ou adolescente com palpitações recorrentes e taquicardia de alta frequência, pense sempre em uma síndrome de pré-excitação, como a de Wolff-Parkinson-White.
- Lembre-se de estudar os achados eletrocardiográficos da pré-excitação, como o PR curto e a onda delta, que são fundamentais para o diagnóstico.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Taquicardia a 220: TSV e o WPW — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.
Baseado em: Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025 (algoritmo de taquicardia) (AHA/AAP, 2025) · Arritmias na infância — Departamento de Cardiologia / PALS Brasil (SBP, 2021–2024) · Management of supraventricular tachycardia (SVT) in children (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026).
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Pediatric Advanced Life Support — diretrizes 2025AHA/AAP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em