Lactente, 4 meses de vida, previamente hígido, é trazido ao pronto-socorro com história de rinorreia hialina e tosse seca há 3 dias, evoluindo com febre baixa. Nas últimas 24 horas, a mãe relata que ele se tornou mais irritadiço e “cansado para respirar”, recusando o seio materno após poucos minutos de sucção. Ao exame físico, apresenta tiragem subcostal e intercostal moderada, com frequência respiratória de 65 ipm. A oximetria de pulso em ar ambiente é de 87%. A ausculta pulmonar revela sibilos expiratórios difusos e finos estertores crepitantes inspiratórios. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o quadro clínico característico e a melhor conduta para esse caso.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico, destacando os pontos mais importantes para o diagnóstico e a conduta.
- A idade de quatro meses é muito relevante, pois a bronquiolite viral aguda é uma doença comum e mais grave nessa faixa etária.
- A história de rinorreia hialina e tosse seca por três dias sugere um pródromo viral, que é típico de infecções respiratórias virais.
- A febre baixa também reforça a hipótese de uma etiologia viral para o quadro.
- A irritabilidade e a queixa da mãe de que o bebê está cansado para respirar são sinais de que o desconforto respiratório está progredindo.
- A recusa alimentar, especialmente do seio materno, é um indicador importante de gravidade em lactentes com dificuldade respiratória, pois compromete a hidratação e o estado geral.
- A tiragem subcostal e intercostal moderada é um sinal objetivo de aumento do esforço respiratório.
- Uma frequência respiratória de 65 incursões por minuto é taquipneia para um lactente de quatro meses, indicando um esforço respiratório significativo.
- A saturação de oxigênio de 87 por cento em ar ambiente é um achado crucial, pois configura hipoxemia e indica a necessidade de intervenção imediata.
- A ausculta pulmonar com sibilos expiratórios difusos e estertores crepitantes inspiratórios é o achado clássico da bronquiolite viral aguda.
- Juntando todos esses dados, a idade do lactente, o pródromo viral, o desconforto respiratório progressivo, a hipoxemia e os achados da ausculta, o diagnóstico mais provável é de bronquiolite viral aguda.
- A presença de hipoxemia e a dificuldade para se alimentar indicam um quadro de moderado a grave, que necessita de suporte respiratório e hidratação adequada.
- A alternativa B está incorreta porque o quadro descrito, sendo o primeiro episódio de sibilância em um lactente com pródromos virais, é muito mais sugestivo de bronquiolite viral aguda do que de crise asmática. Além disso, o uso rotineiro de broncodilatadores e corticoides não é recomendado para o primeiro episódio de bronquiolite.
- A alternativa C está incorreta. Embora a insuficiência cardíaca possa causar sibilância, o quadro clínico completo com pródromos virais e a ausculta típica de bronquiolite não apontam para uma causa cardíaca primária. Não há outros sinais que sugiram insuficiência cardíaca descompensada.
- A alternativa D está incorreta. A laringotraqueíte viral aguda, ou crupe, se manifesta principalmente com estridor inspiratório e tosse ladrante, devido ao edema subglótico. Os achados de sibilos expiratórios difusos e estertores crepitantes não são característicos de crupe.
- A alternativa E está incorreta. Embora o quadro seja grave, a apresentação clínica com pródromos virais, sibilância difusa e estertores crepitantes é mais consistente com uma infecção viral. A antibioticoterapia empírica não é indicada de rotina em casos de bronquiolite, a menos que haja forte suspeita de coinfecção bacteriana, o que não é o caso aqui.
- A alternativa A é a correta. O quadro clínico é clássico de bronquiolite viral aguda. A conduta prioritária para um lactente com hipoxemia de 87 por cento é a suplementação de oxigênio para manter a saturação acima ou igual a noventa por cento. A desobstrução nasal com soro fisiológico é uma medida de suporte fundamental para facilitar a respiração e a alimentação, que está comprometida neste caso.
- Em um lactente de quatro meses, com quadro viral respiratório, sibilância e hipoxemia, pense sempre em bronquiolite viral aguda e priorize o suporte respiratório com oxigênio e a higiene nasal.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bronquiolite agudaSBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.