Lactente, 8 meses de vida, é levado à emergência com febre alta há 1 dia, letargia e recusa alimentar. Ao exame físico, apresenta-se pálido, com tempo de enchimento capilar de 4 segundos, taquicardia (180 bpm), taquipneia (55 ipm) e pulsos periféricos finos. A pressão arterial está em 75 x 40 mmHg. O serviço não dispõe de leitos de UTI pediátrica para transferência imediata. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta mais precisa para o manejo inicial desse paciente, conforme as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign para pediatria.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Temos um lactente de oito meses de vida, o que já nos indica que estamos lidando com uma criança pequena, com particularidades fisiológicas e de resposta a doenças.
- Ele foi levado à emergência com febre alta há um dia, um sintoma comum, mas que, associado a outros, pode ser preocupante.
- A letargia e a recusa alimentar são sinais de alerta importantes, sugerindo um comprometimento do estado geral e da perfusão cerebral, que podem indicar gravidade.
- Ao exame físico, a palidez é um achado que pode indicar má perfusão ou anemia, contribuindo para o quadro de choque.
- O tempo de enchimento capilar de quatro segundos é um dado crucial. Valores acima de dois segundos em crianças são um forte indicativo de choque.
- A taquicardia de 180 batimentos por minuto e a taquipneia de 55 incursões por minuto são respostas compensatórias do organismo ao choque, tentando manter a oxigenação e a perfusão.
- Os pulsos periféricos finos confirmam a má perfusão e a vasoconstrição periférica, características do choque.
- A pressão arterial de 75 por 40 milímetros de mercúrio está abaixo do esperado para um lactente de oito meses, indicando um choque descompensado ou hipotensivo.
- A informação de que o serviço não dispõe de leitos de UTI pediátrica para transferência imediata é importante porque nos força a pensar no manejo inicial e estabilização no local.
- Com todos esses dados, como febre, letargia, sinais de má perfusão e hipotensão, o diagnóstico mais provável é de choque séptico descompensado.
- A prioridade no choque séptico é a rápida reposição volêmica para restaurar a perfusão, além do controle da infecção com antibióticos de amplo espectro.
- É fundamental reavaliar o paciente continuamente após cada bolus de volume para evitar sobrecarga hídrica, especialmente em um lactente.
- A alternativa A sugere intubação orotraqueal imediata antes da ressuscitação volêmica, mas a intubação, embora possa ser necessária, não deve atrasar a expansão volêmica e o antibiótico, que são prioridades no choque.
- A alternativa B propõe albumina a cinco por cento como fluido de escolha e diurético, mas os cristaloides são a primeira escolha para reposição volêmica no choque séptico pediátrico, e diuréticos não são rotina inicial.
- A alternativa C sugere um bolus único de 30 mililitros por quilo de soro fisiológico em 60 minutos. Um bolus tão grande de uma vez e um tempo de infusão tão longo não permitem a reavaliação contínua e podem levar à sobrecarga.
- A alternativa D indica administrar um bolus de 10 mililitros por quilo de cristaloide e aguardar a melhora antes de dar mais volume ou antibiótico. O antibiótico é uma prioridade e não deve esperar a resposta completa ao volume.
- A alternativa E está correta. Ela propõe um bolus de 10 a 20 mililitros por quilo de cristaloide balanceado em cinco a dez minutos, com reavaliação contínua para sinais de sobrecarga, e a garantia de culturas e antibióticos na primeira hora, o que está alinhado com as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign.
- Em uma criança com febre, letargia e sinais de má perfusão como tempo de enchimento capilar prolongado e hipotensão, pense sempre em choque séptico e aja rapidamente com volume e antibióticos.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- International guidelines for management of sepsis and septic shock in childrenSurviving Sepsis Campaign / SCCM, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.