Lactente de 3 meses, nascido prematuro de 32 semanas, com história de displasia broncopulmonar, é admitido no pronto-socorro em abril com quadro de tosse seca, febre baixa e desconforto respiratório progressivo há 48h. Ao exame físico: FC = 170 bpm, FR = 78 ipm, SAT = 88% em aa, gemência audível sem esteto, MV+ com sibilos difusos e roncos e TSC importante. Diante desse quadro, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos um lactente de três meses, o que já nos direciona para algumas patologias comuns nessa faixa etária, como a bronquiolite.
- É importante notar que ele nasceu prematuro de 32 semanas e tem histórico de displasia broncopulmonar. Esses são fatores de risco significativos para uma bronquiolite mais grave.
- O quadro clínico começou em abril, o que é relevante porque o vírus sincicial respiratório, principal causador da bronquiolite, tem maior incidência nessa época do ano.
- Os sintomas de tosse seca, febre baixa e desconforto respiratório progressivo há 48 horas são bastante típicos de bronquiolite.
- No exame físico, a frequência cardíaca de 170 batimentos por minuto e a frequência respiratória de 78 incursões por minuto indicam um esforço respiratório muito elevado.
- A saturação de oxigênio de 88 por cento em ar ambiente é um sinal claro de hipoxemia e gravidade do quadro.
- A gemência audível sem estetoscópio e o tiragem subcostal importante confirmam que o desconforto respiratório é severo.
- A ausculta com murmúrio vesicular presente, sibilos difusos e roncos é compatível com o padrão de obstrução de pequenas vias aéreas da bronquiolite.
- Juntando todos esses dados, temos um lactente com múltiplos fatores de risco, quadro clínico e exame físico que caracterizam uma bronquiolite aguda grave.
- A hipoxemia e o grande esforço respiratório indicam a necessidade de suporte ventilatório, que vai além do oxigênio suplementar simples.
- Analisando a alternativa A, o uso de antibióticos não é rotina na bronquiolite, e a coinfecção bacteriana não ocorre em mais de 50 por cento dos casos, então essa opção está incorreta.
- A alternativa C sugere corticoterapia sistêmica para bronquiolite grave. No entanto, a gravidade isolada não estabelece benefício de corticoide sistêmico nesse contexto, tornando-a incorreta.
- A alternativa D propõe manter broncodilatadores inalados mesmo sem resposta inicial. Isso não é recomendado, pois não se deve manter um tratamento sem resposta documentada por uma expectativa de benefício tardio. Portanto, está incorreta.
- Finalmente, a alternativa B afirma que o suporte ventilatório não invasivo com CPAP nasal pode ser considerado em casos refratários ao oxigênio suplementar. Isso está correto, pois o CPAP pode ser uma escalada na bronquiolite grave, reduzindo a necessidade de intubação orotraqueal.
- Para finalizar, lembre-se que uma criança com menos de um ano, com desconforto respiratório importante e fatores de risco como prematuridade, deve sempre ter a bronquiolite grave como uma hipótese diagnóstica e a necessidade de suporte ventilatório avaliada.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bronquiolite agudaSBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.