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Pediatrando

Lactente de 10 meses de idade, 10 kg, é levado ao serviço de emergência com história de ter iniciado febre alta há 5 dias, evoluindo com surgimento de lesões vesiculosas em boca, palmas das mãos e plantas dos pés. Há 1 dia, está mais prostrado e apresenta desconforto respiratório, que piora às mamadas. Ao exame físico: Letárgico, frequência respiratória 50 ipm, frequência cardíaca 160 bpm, pressão arterial 80/50 mmHg. Ausculta pulmonar com estertores crepitantes em ambas as bases e ausculta cardíaca com ritmo em 3 tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros. Pulsos finos, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Você toma as medidas iniciais e resolve iniciar um suporte hemodinâmico medicamentoso. Qual é a droga de escolha?

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Resposta: A

  1. A) Dobutamina.

    Dobutamina é inotrópico beta-1 com leve vasodilatação: aumenta a contratilidade e reduz a pós-carga, o que convém ao coração com miocardite (galope, estertores, extremidades frias). A PA de 80/50 mmHg está acima do limite de hipotensão para a idade (sistólica abaixo de 70 mmHg), então o choque é compensado; havendo hipotensão, a adrenalina é a alternativa.

  2. B) Fenilefrina.

    Fenilefrina é agonista alfa-1 puro: só aumenta a resistência vascular sistêmica, elevando a pós-carga de um ventrículo que já não consegue ejetar. Na pediatria seu uso se restringe a situações como a crise hipoxêmica da tetralogia de Fallot, não ao choque cardiogênico.

  3. C) Vasopressina.

    Vasopressina é vasoconstritor sem ação inotrópica, reservado ao choque vasoplégico refratário às catecolaminas. No choque frio da miocardite, aumentar a resistência vascular piora o débito cardíaco e a congestão pulmonar.

  4. D) Norepinefrina.

    Noradrenalina é a escolha no choque quente, com vasodilatação e pressão diastólica baixa, típico do choque séptico distributivo. Aqui a criança já está vasoconstrita (pulsos finos, extremidades frias) e com disfunção miocárdica, e elevar a pós-carga sem suporte inotrópico agrava a falência de bomba.

Resumo para lembrar

Choque cardiogênico por miocardite (aqui complicando doença mão-pé-boca por enterovírus) se reconhece por ritmo de galope, estertores, extremidades frias e enchimento capilar lento com PA ainda preservada. O suporte é inotrópico que não aumente a pós-carga, como dobutamina 5-20 mcg/kg/min ou milrinona, com fluidos em alíquotas de 5-10 mL/kg e reavaliação a cada bolus.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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