Lactente de 16 meses é internado, devido a segundo episódio de sibilância (primeiro episódio aos 12 meses de idade), com taquipneia, esforço respiratório, tempo expiratório prolongado e sibilos expiratórios difusos, com resposta a beta 2 agonistas de curta duração. Segundo a mãe, o quadro iniciou após episódio de resfriado comum. Lactente previamente hígido, com teste do pezinho normal, sem internações, bom ganho pondero estatural. Pais e irmão possuem histórias de sibilância. Ao exame físico, exceto pelo aparelho respiratório, sem alterações. Sobre o quadro descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos um bebê de dezesseis meses, e essa idade é super importante porque define a faixa etária para o diagnóstico de asma em crianças pequenas.
- Ele está no segundo episódio de sibilância, sendo que o primeiro foi aos doze meses. A recorrência de episódios de chiado é um critério fundamental para pensarmos em asma.
- O quadro atual apresenta taquipneia, esforço respiratório, tempo expiratório prolongado e sibilos expiratórios difusos. Esses são sinais clássicos de obstrução das vias aéreas, que é o que acontece na asma.
- Um dado crucial é a resposta a beta dois agonistas de curta duração. Isso indica que a obstrução é reversível, uma característica marcante da asma.
- A mãe relata que o quadro começou após um resfriado comum. Infecções virais respiratórias são gatilhos muito frequentes para crises de sibilância em crianças, especialmente as asmáticas.
- É importante notar que o lactente era previamente hígido, com teste do pezinho normal e bom ganho pondero estatural. Isso nos ajuda a afastar outras causas de sibilância, como doenças congênitas ou fibrose cística.
- Por fim, a história familiar é bem relevante: pais e irmão possuem histórias de sibilância. Uma forte história familiar de atopia ou asma aumenta muito a probabilidade do diagnóstico.
- Juntando todos esses pontos, temos um quadro clínico muito sugestivo de asma em uma criança pequena. A idade, a recorrência, a resposta ao broncodilatador e a história familiar são os pilares.
- O diagnóstico de asma em crianças pequenas, como a de dezesseis meses do caso, é essencialmente clínico. Não precisamos de exames complementares para confirmar se a história e o exame físico são claros.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A diz que é necessário realizar espirometria.
- Essa alternativa está incorreta porque a espirometria depende da colaboração da criança, o que não é possível em um lactente de dezesseis meses. Ela não é obrigatória nessa faixa etária para o diagnóstico.
- A alternativa B sugere que é necessário realizar oscilometria.
- A oscilometria é um exame que pode ajudar em centros especializados, mas não é um requisito diagnóstico universal para asma em crianças pequenas. Portanto, não é necessária para o diagnóstico neste caso.
- A alternativa D afirma que é necessário realizar um ecocardiograma para excluir cardiopatia congênita.
- O ecocardiograma é um exame direcionado para investigar sinais cardíacos. No nosso caso, o lactente é previamente hígido e o exame físico, exceto pelo aparelho respiratório, não apresenta alterações, não justificando esse exame.
- Por fim, a alternativa C, que é a correta, diz que se trata de possível diagnóstico de asma, não sendo necessário realização de exames complementares.
- Essa alternativa está correta porque, em crianças pequenas, a história clínica detalhada, a recorrência dos sintomas e a resposta ao tratamento com broncodilatadores são suficientes para sustentar o diagnóstico de asma, sem a necessidade de exames complementares de rotina.
- Então, lembre-se: criança de dezesseis meses com sibilância recorrente e boa resposta a broncodilatador, pense sempre em asma e que o diagnóstico é clínico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Global Strategy for Asthma Management and PreventionGINA, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.