Lactente de 5 meses, sexo feminino, apresenta quadro de febre (38,8 °C) e irritabilidade há 48 horas, sem outros sintomas. O exame físico mostra lactente em estado geral regular, corado, hidratado, choroso, febril. Frequência cardíaca: 140 bpm, Frequência respiratória: 40 irpm, Pressão arterial: 90/50 mmHg e tempo de enchimento capilar 2 seg. Restante do exame físico normal. Foi realizada coleta de urina por cateterismo vesical, o EAS revelou leucocitúria importante e nitrito positivo. A ultrassonografia de rins e vias urinárias realizada na urgência demonstrou leve hidronefrose à esquerda, sem outras alterações. Qual é a conduta mais adequada para o seguimento deste paciente?
Símbolo de grau perdido na transcrição da prova. Maiúscula indevida e vírgula ausente no enunciado original. Acento ausente em cardíaca. Erro de digitação no nome do exame.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso clínico de pediatria, que nos traz uma lactente com uma infecção do trato urinário febril e um achado importante na ultrassonografia.
- A idade é crucial aqui, porque a investigação de infecção do trato urinário em lactentes segue protocolos específicos, diferentes de crianças maiores.
- Ela apresenta febre de 38,8 graus Celsius e irritabilidade há 48 horas, o que já nos alerta para um quadro infeccioso e a febre indica que é uma infecção do trato urinário febril, ou seja, uma pielonefrite.
- Os exames de urina confirmam a infecção do trato urinário, com leucocitúria importante e nitrito positivo, que são marcadores de infecção bacteriana.
- E aqui vem o dado mais importante para a conduta: a ultrassonografia de rins e vias urinárias mostrou uma leve hidronefrose à esquerda.
- Este achado de uma ultrassonografia alterada em um primeiro episódio de infecção do trato urinário febril em um lactente é o que vai guiar nossa próxima etapa da investigação.
- Então, temos uma lactente com infecção do trato urinário febril e uma ultrassonografia que mostra uma alteração, a hidronefrose.
- Essa combinação de fatores nos obriga a investigar a presença de malformações urinárias, especialmente o refluxo vesicoureteral, que pode estar associado à hidronefrose e levar a danos renais.
- A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que, nesses casos, a uretrocistografia miccional seja realizada para pesquisar o refluxo vesicoureteral.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A sugere realizar urografia excretora para avaliar a gravidade da hidronefrose e descartar duplicidade ureteral completa.
- Essa conduta está incorreta porque a urografia excretora é um exame que usa contraste iodado e radiação, e não é o exame de escolha para investigar refluxo vesicoureteral, além de estar praticamente abandonada na investigação da infecção do trato urinário pediátrica.
- A alternativa B propõe iniciar profilaxia com nitrofurantoína e manter até a realização de cintilografia com DMSA em seis meses.
- Embora a profilaxia seja admitida em crianças com ultrassonografia alterada, o erro aqui é adiar a investigação e esperar seis meses para fazer a cintilografia com DMSA.
- A cintilografia com DMSA tardia serve para mostrar cicatriz renal, e não para investigar refluxo, que é o que precisamos saber agora.
- A alternativa D sugere seguimento ambulatorial sem exames adicionais, já que é o primeiro episódio de infecção urinária febril da paciente.
- Esta opção está incorreta porque o seguimento sem exames adicionais só é válido para o primeiro episódio de infecção do trato urinário febril com ultrassonografia normal.
- No nosso caso, a ultrassonografia mostrou hidronefrose, o que aumenta a chance de refluxo vesicoureteral de alto grau e exige a continuidade da investigação.
- Finalmente, a alternativa C propõe solicitar uretrocistografia miccional após o término do tratamento para investigar malformações urinárias.
- Esta é a conduta mais adequada.
- Em um primeiro episódio de infecção do trato urinário febril em lactente, com ultrassonografia alterada, a uretrocistografia miccional é o exame indicado para pesquisar refluxo vesicoureteral, e deve ser realizada após o tratamento, com a urina estéril.
- Criança de cinco meses, com infecção do trato urinário febril e ultrassonografia alterada, pense sempre em investigar refluxo vesicoureteral.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevençãoSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em