Menina de quatro anos foi encaminhada ao ambulatório de Pediatria por atraso na linguagem e dificuldades de socialização. Os pais relatam que ela fala poucas palavras, não interage com colegas na escola e apresenta episódios de irritabilidade quando há mudanças na rotina. A avaliação neuropsicológica confirmou o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), sem deficiência intelectual associada. O exame físico é normal e não há comorbidades clínicas relevantes. Os pais estão ansiosos por uma intervenção rápida e perguntam sobre as condutas iniciais mais indicadas. Com base nas recomendações de guidelines internacionais (AAP, NICE, DSM-5), qual é a conduta MAIS ADEQUADA neste momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos uma menina de quatro anos, e essa idade é crucial para a avaliação do desenvolvimento, pois é um período de aquisição intensa de habilidades.
- Os pais a encaminharam por atraso na linguagem e dificuldades de socialização, que são os sintomas-chave que nos alertam para um possível transtorno do neurodesenvolvimento.
- A menina fala poucas palavras e não interage com colegas, o que reforça os achados de atraso de linguagem e dificuldades sociais.
- Ela também apresenta irritabilidade com mudanças na rotina, um comportamento que é frequentemente observado em crianças com Transtorno do Espectro Autista.
- A avaliação neuropsicológica confirmou o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, o que nos dá a certeza do quadro e direciona a conduta.
- É importante notar que não há deficiência intelectual associada, o que significa que a criança tem um potencial cognitivo preservado, mas ainda assim precisa de intervenção para os déficits do autismo.
- Com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista confirmado e a idade da criança, a prioridade é iniciar uma intervenção o mais cedo possível.
- Mesmo sem deficiência intelectual, as dificuldades de comunicação e socialização são significativas e requerem suporte especializado para otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida.
- A intervenção deve ser abrangente, focando nos déficits centrais do Transtorno do Espectro Autista, que incluem a comunicação social e os padrões restritos e repetitivos de comportamento.
- Vamos analisar a alternativa A. Encaminhar para terapia fonoaudiológica é importante, mas não é a conduta MAIS adequada como única medida, pois o Transtorno do Espectro Autista envolve mais do que apenas o atraso de linguagem.
- A alternativa C sugere prescrever risperidona e iniciar psicoterapia individual. A risperidona é um medicamento que pode ser usado para irritabilidade severa, mas não é a primeira linha de tratamento para os déficits centrais do Transtorno do Espectro Autista e não deve ser a conduta inicial.
- A psicoterapia individual de apoio também não é a intervenção comportamental mais indicada para os déficits do Transtorno do Espectro Autista em crianças pequenas.
- A alternativa D afirma que a criança pode aguardar evolução clínica por não haver deficiência intelectual. Isso está incorreto, pois a ausência de deficiência intelectual não justifica adiar o apoio ao desenvolvimento, que é crucial no Transtorno do Espectro Autista.
- Finalmente, a alternativa B é a conduta mais adequada. As diretrizes internacionais recomendam intervenção precoce baseada em terapias comportamentais estruturadas, como a Análise do Comportamento Aplicada, e o treinamento parental é fundamental para a generalização das habilidades aprendidas.
- Em uma criança de quatro anos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, pense sempre em intervenção precoce e abrangente, envolvendo a família.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Autism spectrum disorder in under 19s — support and managementNICE, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.