Lactente, sexo feminino, com 10 meses de idade, com esquema vacinal completo para a idade (incluindo as duas doses da vacina pneumocócica conjugada 13 valente e Haemophilus influenzae tipo b), é levada ao pronto-socorro com história de febre de 39.2°C (axilar) há 24 horas. A mãe refere que a criança está irritada, mas consegue mamar bem e interage com o ambiente. Ao exame físico, não há sinais localizatórios de infecção. Os exames laboratoriais realizados na emergência mostram hemograma com leucócitos totais de 16.000/mm³ (com neutrófilos de 8.500/mm³) e urina tipo I normal. Com base nas diretrizes de manejo da febre sem sinais localizatórios (FSSL) para essa faixa etária, da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta mais adequada nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Primeiro, vamos olhar a idade. Uma lactente de dez meses já não é um recém-nascido ou um bebê muito novinho. Isso muda bastante nossa abordagem para febre sem foco.
- O esquema vacinal completo, especialmente para pneumococo e Haemophilus, é um dado muito importante. Ele reduz o risco de infecções bacterianas graves por esses agentes.
- A febre é alta, 39,2 graus, e está presente há 24 horas. É uma febre aguda, mas a duração ainda não é um fator de grande preocupação para infecção bacteriana grave, e a altura da febre isoladamente não é um critério único de gravidade.
- Apesar de estar irritada, a criança mama bem e interage com o ambiente. Isso indica um bom estado geral, o que é um fator de baixo risco para infecção bacteriana grave.
- O exame físico não mostra sinais localizatórios de infecção, o que nos coloca no cenário de febre sem sinais localizatórios, ou febre sem foco.
- O hemograma mostra leucócitos de dezesseis mil e neutrófilos de oito mil e quinhentos. Esses valores são um pouco elevados, mas não são alarmantes o suficiente para indicar uma infecção bacteriana grave em uma criança com bom estado geral e vacinação completa.
- A urina tipo um normal é um dado importante, pois afasta uma infecção do trato urinário como foco da febre, que é uma das causas mais comuns de febre sem foco em lactentes.
- Juntando a idade de dez meses, o bom estado geral, a vacinação completa e a ausência de foco no exame físico e na urina, podemos classificar essa lactente como de baixo risco para infecção bacteriana grave.
- Em crianças de baixo risco para infecção bacteriana grave, especialmente acima de três meses, a conduta pode ser mais conservadora, com observação e orientação aos pais.
- A alternativa A sugere realizar radiografia de tórax e iniciar antibioticoterapia empírica. Isso seria excessivo para uma criança de baixo risco, pois a febre elevada isolada não indica esses procedimentos sem outros sinais.
- A alternativa B propõe coletar hemocultura e urocultura por cateterismo vesical. Embora culturas sejam importantes, elas não são universais para toda febre sem foco. Em um lactente de dez meses, com urina tipo um normal e bom estado geral, não há indicação imediata para essas culturas invasivas.
- A alternativa C sugere internar a paciente para observação clínica e investigação estendida. A internação é reservada para crianças com risco clínico, idade vulnerável ou quando o seguimento ambulatorial não é seguro. Nossa paciente está em bom estado geral e é de baixo risco.
- A alternativa E indica realizar punção lombar. A punção lombar é um procedimento invasivo e não é indicada apenas pela ausência de foco. Ela depende da faixa etária e do risco, sendo mais comum em recém-nascidos ou lactentes jovens com sinais de gravidade.
- A alternativa D é a conduta mais adequada. Orientar os pais sobre os sinais de alerta e dar alta com reavaliação em 24 a 48 horas é o manejo recomendado para lactentes maiores de três meses, vacinados e em bom estado geral, classificados como de baixo risco para infecção bacteriana grave.
- Então, criança de dez meses, com febre sem foco, bom estado geral e vacinação completa, pense sempre em baixo risco e conduta conservadora com acompanhamento.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexõesSBP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.