Lactente, sexo masculino, com 18 meses de idade é trazido ao pronto-socorro com história de 2 dias de coriza e febre baixa. Na madrugada, evoluiu subitamente com tosse "de cachorro", rouquidão e estridor inspiratório. Ao exame físico, apresenta estridor audível em repouso, tiragem subcostal leve e está ativo e responsivo, sem cianose. A oximetria revela saturação de 94% e a temperatura axilar é de 38.5 °C. Considerando a apresentação clínica, qual é a conduta inicial mais apropriada para o manejo desse lactente?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um lactente, um menino de 18 meses de idade, que é uma idade comum para quadros virais respiratórios, inclusive o crupe.
- Ele apresenta uma história de dois dias de coriza e febre baixa, o que sugere um quadro viral que precede os sintomas mais agudos.
- Na madrugada, houve uma evolução súbita com tosse 'de cachorro', rouquidão e estridor inspiratório, que são a tríade clássica do crupe, ou laringite viral aguda.
- Ao exame físico, a gente observa estridor audível em repouso, o que já indica um grau de obstrução das vias aéreas superiores que merece atenção.
- A tiragem subcostal leve mostra que há um esforço respiratório, mas não é um desconforto grave, e o fato de estar ativo e responsivo, sem cianose, indica que ele ainda não está em falência respiratória iminente.
- A saturação de oxigênio de 94 por cento é um valor aceitável, mas próximo ao limite inferior, e a temperatura de 38,5 graus Celsius confirma a febre.
- Com base nesses achados, a apresentação clínica é muito sugestiva de crupe, ou laringite viral aguda, que é uma inflamação da laringe e traqueia que causa edema subglótico.
- A presença de estridor audível em repouso, mesmo com tiragem leve e boa saturação, classifica esse caso como um crupe moderado a grave, que precisa de intervenção imediata para reduzir o edema e melhorar a respiração.
- A conduta inicial para crupe moderado a grave geralmente envolve corticosteroides para reduzir a inflamação e, se houver estridor em repouso, adrenalina nebulizada para desobstruir rapidamente a via aérea.
- Vamos analisar a alternativa A. Realizar inalação com soro fisiológico e liberar o paciente para casa não é apropriado para um quadro com estridor em repouso, pois o soro não trata a obstrução significativa e a alta imediata é perigosa.
- A alternativa B sugere oferecer oxigênio em cateter nasal de alto fluxo. Embora o oxigênio possa ser necessário se a saturação cair, o alto fluxo não é o tratamento específico inicial para o edema subglótico do crupe.
- A alternativa C propõe nebulização com broncodilatador, como salbutamol, e corticosteroide inalatório. O salbutamol atua nas vias aéreas inferiores e não é eficaz para o edema na laringe, que é o problema principal no crupe.
- A alternativa E sugere inalação com soro fisiológico e iniciar antibioticoterapia oral. O crupe é uma infecção viral, então o antibiótico não tem papel e não previne complicações bacterianas nesse contexto.
- Finalmente, a alternativa D, que é a correta, prescreve dexametasona e nebulização com adrenalina, mantendo o paciente em observação. A dexametasona é um corticoide potente que reduz a inflamação, e a adrenalina nebulizada causa vasoconstrição local, diminuindo o edema e melhorando o estridor rapidamente. A observação é crucial porque o efeito da adrenalina é transitório.
- Então, lembre-se: criança com estridor em repouso e tosse de cachorro, pense sempre em crupe moderado a grave e na necessidade de corticoide e adrenalina nebulizada.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Acute upper airway obstructionRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.