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Pediatrando

Mãe de 29 anos, HIV negativa, puérpera de 10 dias, procura o serviço de puericultura com o recém-nascido a termo, que está em aleitamento materno exclusivo. Relata estar em tratamento para tuberculose pulmonar, iniciando o esquema RIPE, há 5 dias, e refere uso recente de codeína para tosse. Apresenta também lesões vesiculares dolorosas em aréola da mama esquerda, compatíveis com herpes simples ativo. Nesse contexto, com relação à amamentação e ao uso dos medicamentos, a conduta correta é:

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Resposta: C

  1. A) Suspender definitivamente o aleitamento, devido à tuberculose ativa, e substituir por fórmula infantil até completar o tratamento.

    Tuberculose materna não justifica suspender o aleitamento: o bacilo se transmite pelo ar, não pelo leite (exceto na rara mastite tuberculosa), e os fármacos do esquema RIPE são compatíveis. A mãe amamenta usando máscara cirúrgica enquanto a baciloscopia for positiva.

  2. B) Manter o aleitamento em ambas as mamas, pois a tuberculose e o herpes não contraindicam a amamentação, e a codeína é segura em pequenas doses.

    A tuberculose de fato não contraindica a amamentação, mas a lesão herpética ativa na aréola impede sugar aquela mama pelo risco de herpes neonatal grave. A codeína não é segura: metabolizadores ultrarrápidos do CYP2D6 produzem morfina em excesso, com relatos de depressão respiratória e morte de lactentes.

  3. C) Suspender temporariamente a amamentação na mama com lesão herpética ativa, manter o aleitamento na mama contralateral, evitar o uso de codeína (substituindo por analgésico seguro) e manter o tratamento antituberculoso.

    Protege o bebê sem sacrificar o aleitamento: suspender só a mama com herpes ativo até as crostas (ordenhando e descartando o leite se a bomba ou a mão tocarem a lesão), manter a mama contralateral com higiene das mãos, trocar a codeína por paracetamol ou ibuprofeno e manter o RIPE com máscara cirúrgica. O RN deve ser avaliado e receber quimioprofilaxia.

  4. D) Interromper o aleitamento, por 2 semanas, devido ao uso de rifampicina e isoniazida, retomando após a negativação baciloscópica.

    Rifampicina e isoniazida passam em pequena quantidade para o leite, sem efeito relevante no lactente, e são compatíveis com a amamentação. Não se interrompe o aleitamento à espera da negativação da baciloscopia; basta a máscara cirúrgica nesse período.

  5. E) Suspender a amamentação por risco de transmissão do Mycobacterium tuberculosis e do vírus herpes pelo leite materno.

    Nem o M. tuberculosis nem o herpes simples se transmitem pelo leite materno: a TB passa por aerossóis e o herpes por contato direto com a lesão. Por isso só a mama com lesão é poupada e o aleitamento continua.

Resumo para lembrar

Tuberculose materna em tratamento não contraindica a amamentação: os tuberculostáticos são compatíveis, e a mãe usa máscara cirúrgica enquanto a baciloscopia for positiva; o RN recebe quimioprofilaxia. Lesão herpética ativa na mama suspende apenas o seio afetado até as crostas. Codeína deve ser evitada na lactação pelo risco de intoxicação opioide do lactente.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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