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Pediatrando

Menina, 4 anos, vem à consulta médica pediátrica com queixa de dor abdominal, iniciada há 1 ano, periumbilical, que melhora com evacuação, sem despertares noturnos, em torno de 2 vezes por semana. Acompanhante refere evacuação a cada 3 dias, Bristol 2, com dor e esforço, iniciado há 2 anos, concomitante à tentativa de desfralde. Interrogatório sobre diversos aparelhos sem informações relevantes. Antecedentes neonatais sem particularidades, eliminou mecônio nas primeiras 24 horas de vida. Ao exame físico, abdome semigloboso, RHA +, macicez à palpação de fossa ilíaca esquerda, flácido, indolor à palpação, com massa endurecida palpável em fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite. Sobre o caso acima, assinale:

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Resposta: D

  1. A) Deve ser iniciado imediatamente laxativos via retal, visto que paciente apresenta massa fecal palpável.

    A massa fecal palpável indica desimpactação, mas a via oral com polietilenoglicol em dose alta é a primeira escolha, com eficácia semelhante à dos enemas e sem o trauma do procedimento retal, que pode piorar a retenção. O enema fica para falha da via oral ou quando se precisa de efeito rápido.

  2. B) Deve ser orientado aumento da ingesta hídrica e de fibras como primeiro pilar do tratamento de constipação intestinal funcional.

    As diretrizes ESPGHAN/NASPGHAN não recomendam suplementar fibra ou água acima da ingestão normal como tratamento; dieta equilibrada é orientação geral. Sem desimpactação e laxativo osmótico, a retenção e a dor persistem.

  3. C) Paciente com sinais de alarme para doença orgânica, devendo ser realizados Ressonância magnética de coluna lombossacra e biópsia retal.

    Não há sinais de alarme: mecônio eliminado em 24 horas, início no desfralde (gatilho típico de retenção), sem distensão, vômitos, déficit de crescimento ou alteração neurológica. Ressonância de coluna e biópsia retal ficam para suspeita de disrafismo ou de doença de Hirschsprung.

  4. D) Deve ser iniciado laxativo oral em dose de desimpactação para tratamento do quadro de constipação intestinal funcional.

    Evacuações a cada 3 dias, fezes Bristol 2 com dor, início no desfralde e fecaloma em fossa ilíaca esquerda configuram constipação funcional com impactação. O primeiro passo é desimpactar com polietilenoglicol oral (1 a 1,5 g/kg/dia por 3 a 6 dias) e depois manter com 0,4 a 0,8 g/kg/dia por meses; a dor que melhora com a evacuação faz parte do quadro.

Resumo para lembrar

Constipação funcional com impactação (massa fecal palpável) trata-se primeiro com desimpactação por polietilenoglicol oral em dose alta (1 a 1,5 g/kg/dia por 3 a 6 dias), tão eficaz quanto enemas e menos invasiva, seguida de manutenção (0,4 a 0,8 g/kg/dia), treino de toalete e educação da família. Início no desfralde e mecônio em 24 horas falam contra causa orgânica.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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