Recém-nascido (RN) de 15 dias de vida comparece à consulta de puericultura para seguimento. Foi um RN à termo, de 39 semanas, com peso adequado para idade gestacional, APGAR 9/10, recebendo alta do alojamento conjunto com 48 horas de vida. Está em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso de 30g/dia. Ao exame físico, identificado paciente ictérico. Quais os dados na história clínica que devem levantar a suspeita de doenças hepáticas ou das vias biliares?
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Resposta: A
A) Fezes hipocólicas ou acólicas.
Fezes descoradas (hipocólicas ou acólicas) mostram que a bilirrubina conjugada não chega ao intestino: é o sinal clássico de colestase, com atresia de vias biliares como principal hipótese. Com colúria e icterícia após 14 dias, pede bilirrubina direta no mesmo dia e encaminhamento à hepatologia.
B) Presença de lesões perineais.
Lesões perineais, como dermatite de fraldas ou candidíase, são comuns no lactente e não fazem parte do quadro de colestase. Não orientam para doença hepática ou das vias biliares.
C) Presença de cefalohematoma.
O cefalo-hematoma é uma coleção de sangue que, ao ser reabsorvida, aumenta a produção de bilirrubina indireta. Explica icterícia prolongada não colestática, não doença do fígado ou das vias biliares.
D) Presença de icterícia até zona IV de Kramer.
As zonas de Kramer estimam grosseiramente o nível de bilirrubina (zona IV, braços e pernas, corresponde a cerca de 15 mg/dL), mas não distinguem fração direta de indireta. A extensão da icterícia indica intensidade, não colestase.
Resumo para lembrar
Icterícia após 14 dias de vida no RN a termo exige dosar bilirrubina total e direta para afastar colestase. Fezes hipocólicas ou acólicas e urina escura sugerem obstrução biliar, sobretudo atresia de vias biliares, cuja cirurgia de Kasai tem melhor resultado antes de 60 dias. A escala de cor das fezes da Caderneta da Criança ajuda a detectar cedo.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.