Menina de 10 anos de idade, chegou ao Pronto Atendimento com queixa de dor no peito há 2 dias e cansaço quando faz atividade física nesse período. Nega febre. Sua mãe refere que a filha já precisou ficar internada algumas vezes quando era lactente, devido a crises de dispneia e tosse, apresentando melhora com inalação com salbutamol e xarope de prednisolona. Desde então, eventualmente tem crises de tosse que melhoram com as mesmas medicações. Está com a vacinação atualizada. Seu pai tem rinite alérgica e seu irmão de 5 anos tem dermatite atópica. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica e afebril. Otoscopia e oroscopia normais. Rinoscopia com hipertrofia e edema de cornetos e secreção hialina discreta. Murmúrio vesicular presente com sibilos bilaterais e expiração prolongada. Bulhas rítmicas normofonéticas, em dois tempos e sem sopros. Abdome flácido, sem visceromegalias. Membros inferiores sem edema. PA: 100 x 60 mmHg. Qual o diagnóstico mais provável desse caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma menina de dez anos de idade, e essa informação é importante porque nos ajuda a pensar nas doenças mais prevalentes para essa faixa etária.
- Ela chegou ao pronto atendimento com queixa de dor no peito e cansaço há dois dias. Esses são sintomas que podem indicar um problema respiratório, mas são um pouco inespecíficos por si só.
- É importante notar que a mãe refere que a filha negou febre. A ausência de febre nos ajuda a direcionar um pouco o raciocínio, afastando algumas infecções agudas como causa principal.
- A história pregressa é crucial: a mãe conta que a menina precisou ser internada algumas vezes quando era lactente, devido a crises de dispneia e tosse. Isso já nos acende um alerta para um padrão de doença respiratória recorrente desde cedo.
- E o que é mais importante ainda é que essas crises melhoravam com inalação com salbutamol e xarope de prednisolona. A resposta a broncodilatadores e corticoides é um dado muito forte para pensarmos em asma.
- A mãe ainda complementa que, desde então, a menina eventualmente tem crises de tosse que melhoram com as mesmas medicações. Isso reforça o padrão de recorrência e a reversibilidade da obstrução.
- Outro dado muito relevante é a história familiar: o pai tem rinite alérgica e o irmão de cinco anos tem dermatite atópica. Isso nos indica uma forte predisposição atópica na família, um fator de risco importante para asma.
- No exame físico, os achados pulmonares são chave: murmúrio vesicular presente com sibilos bilaterais e expiração prolongada. Sibilos são o som característico da obstrução das vias aéreas, e a expiração prolongada confirma essa obstrução.
- Agora, vamos juntar as peças do quebra-cabeça. A história de crises de dispneia e tosse desde a lactância, com melhora após uso de broncodilatadores e corticoides, aponta fortemente para uma doença obstrutiva reversível das vias aéreas.
- Quando adicionamos a isso a história familiar de atopia, com rinite alérgica no pai e dermatite atópica no irmão, a hipótese de asma se torna muito provável.
- Os achados do exame físico atual, com sibilos bilaterais e expiração prolongada, são consistentes com uma exacerbação, ou seja, uma crise asmática, que justifica a dor no peito e o cansaço.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A, Insuficiência cardíaca, não se encaixa. Faltam sinais de congestão pulmonar ou disfunção cardíaca que expliquem os sibilos recorrentes e a melhora com broncodilatadores.
- A alternativa B, Bronquiolite, também está incorreta. A bronquiolite é uma condição mais característica de lactentes, geralmente no primeiro episódio viral, e nossa paciente tem dez anos e uma história de crises recorrentes.
- A alternativa D, Pneumonia atípica, não é o diagnóstico mais provável. Não há elementos infecciosos fortes, como febre, que tornem a pneumonia atípica a hipótese principal, e a história de recorrência não se encaixa.
- A alternativa E, Edema agudo de pulmão, também está incorreta. O edema pulmonar exige um contexto e sinais circulatórios que estão ausentes no relato do caso, como taquicardia, taquipneia intensa, ou alterações na pressão arterial.
- Finalmente, a alternativa C, Crise asmática, é a correta. Os sibilos, a expiração prolongada no exame físico e todo o contexto atópico familiar e a história de melhora com broncodilatadores e corticoides sustentam perfeitamente uma exacerbação asmática.
- Para revisar rapidamente, em uma criança de dez anos, com sibilos recorrentes e história familiar de atopia, pense sempre em asma.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Global Strategy for Asthma Management and PreventionGINA, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.