Menina de 4 anos de idade, previamente hígida, vai ao pronto atendimento com história de febre de 38,7 °C há 3 dias, com tosse produtiva. Fez uso de dipirona para febre e inalação com soro fisiológico em casa. Apresenta vacinação atualizada para a idade. Ao exame físico, está em regular estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica, febril com T: 37,8 °C. Respiração sem uso de musculatura acessória com FR: 42 ipm. Murmúrio vesicular presente com estertores finos em base direita. Abdome flácido, indolor e sem visceromegalias. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos. PA: 80 x 45 mmHg. Sinais meníngeos ausentes. Demais dados do exame físico estão normais. Qual conduta é a mais adequada para esse caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, destacando os pontos mais importantes. Primeiro, temos uma menina de quatro anos de idade.
- Essa idade é crucial para pensarmos na epidemiologia dos agentes causadores de infecções respiratórias e também para avaliar os parâmetros vitais.
- A febre persistente por três dias é um sinal de alerta, indicando uma infecção que pode ser bacteriana e que não está cedendo espontaneamente.
- A tosse produtiva é um sintoma respiratório típico que, junto com a febre, nos faz pensar em infecções das vias aéreas inferiores.
- Uma frequência respiratória de quarenta e duas incursões por minuto para uma criança de quatro anos é considerada taquipneia, um sinal importante de desconforto respiratório.
- A presença de estertores finos em uma área específica do pulmão, a base direita, sugere um foco de consolidação, o que é um achado clássico de pneumonia.
- A pressão arterial de oitenta por quarenta e cinco milímetros de mercúrio é um valor limítrofe para a idade, mas o tempo de enchimento capilar de dois segundos e o bom estado geral da criança indicam que não há sinais de choque grave.
- Essa informação é fundamental, pois a ausência de outros sinais de gravidade, como letargia, desidratação grave ou cianose, nos ajuda a classificar a pneumonia como não grave.
- Juntando a febre persistente, a tosse produtiva, a taquipneia e os estertores focais, temos um quadro clínico muito sugestivo de pneumonia adquirida na comunidade.
- Como a criança está em regular estado geral, hidratada, sem sinais de choque ou outros critérios de gravidade, podemos considerar o tratamento ambulatorial.
- A alternativa A, lavagem nasal e inalação com soro fisiológico, é uma medida de suporte importante para quadros virais, mas não é o tratamento adequado para uma pneumonia bacteriana suspeita com sinais focais como os que encontramos no exame físico.
- A alternativa C, claritromicina oral, é um macrolídeo e é reservada para indicações específicas, como a suspeita de um agente atípico, o que não é a primeira hipótese para uma pneumonia comunitária típica em uma criança dessa idade.
- A alternativa D, ceftriaxone intramuscular, não é necessária de rotina para uma pneumonia sem gravidade, especialmente se a criança tolera bem a medicação por via oral.
- A alternativa E, vancomicina endovenosa, é um antibiótico de amplo espectro, reservado para casos de pneumonia grave ou com suspeita de germes resistentes, o que não se aplica a este cenário de pneumonia comunitária sem sinais de gravidade.
- A alternativa B, amoxicilina oral, é a conduta mais adequada. A amoxicilina é a primeira escolha para o tratamento de pneumonia comunitária em crianças sem sinais de gravidade, como é o caso desta paciente, e pode ser administrada por via oral.
- Então, para uma criança de quatro anos, com febre, tosse, taquipneia e exame pulmonar focal, pense sempre em pneumonia e, se não houver sinais de gravidade, a amoxicilina oral é a primeira escolha.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
- Pneumonias adquiridas na comunidade complicadasSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.