Menino, três meses de vida, chega à emergência pediátrica com história de coriza, tosse, espirros e obstrução nasal há três dias, e febre baixa no primeiro dia do quadro. No momento, a genitora refere que o menino está "cansado" e, por isso, o levou ao pronto-socorro. A mãe afirma que o bebê tem crises de tosse, que duram cerca de cinco minutos e pioram à noite. Ao exame: EGR, irritado, dispneico (++/+4), afebril. Alt. MV+ em AHT, com sibilos difusos e aumento do tempo expiratório. FR = 60 ipm. Presença de tiragem intercostal moderada, ausência de batimento da asa do nariz, saturação de O2 de 90%. O plantonista ficou na dúvida se solicitaria um Raio-X de tórax, mas, pensando na epidemia local do vírus sincicial respiratório, não o fez. Diante do caso apresentado, o plantonista deve:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de pediatria, que é bem comum na emergência. Primeiro, o paciente é um menino de três meses de vida, o que já nos direciona para um grupo etário específico e suas patologias mais prevalentes.
- Ele chega com uma história de coriza, tosse, espirros e obstrução nasal há três dias. Isso nos indica um pródromo viral, que é muito característico de infecções respiratórias comuns em crianças pequenas.
- A febre baixa no primeiro dia do quadro reforça a hipótese de uma infecção viral, que geralmente se manifesta assim no início.
- A genitora refere que o menino está 'cansado', o que é um sinal subjetivo, mas importante, de desconforto respiratório ou mal-estar geral em lactentes.
- As crises de tosse que duram cerca de cinco minutos e pioram à noite são um achado comum em quadros de bronquiolite, onde a tosse pode ser paroxística.
- Ao exame, ele está em estado geral regular, irritado e dispneico com dois cruzes em quatro, o que já aponta para um desconforto respiratório significativo.
- A ausculta revela murmúrio vesicular presente e audível em ambos os hemitórax, com sibilos difusos e aumento do tempo expiratório. Esses são achados clássicos de obstrução de pequenas vias aéreas, como na bronquiolite.
- A frequência respiratória de 60 incursões por minuto é um sinal de taquipneia importante para um lactente de três meses, indicando esforço respiratório.
- A presença de tiragem intercostal moderada confirma o esforço respiratório e a gravidade do quadro.
- A saturação de oxigênio de 90 por cento é um dado crucial, pois indica hipoxemia e a necessidade de intervenção para melhorar a oxigenação.
- Por fim, o plantonista considerou a epidemia local do vírus sincicial respiratório, que é o principal agente etiológico da bronquiolite e reforça o diagnóstico clínico.
- Juntando todos esses dados, temos um lactente jovem com quadro clínico típico de bronquiolite aguda, com sinais de moderada a grave desconforto respiratório e hipoxemia.
- A saturação de oxigênio de 90 por cento é um critério claro para iniciar a oxigenoterapia, visando manter a saturação acima de 90 a 92 por cento.
- Além disso, a taquipneia de 60 incursões por minuto e o desconforto respiratório podem dificultar a alimentação oral, tornando a hidratação assistida, seja por sonda ou via intravenosa, essencial.
- Analisando as alternativas, a B sugere solicitar um Raio-X de tórax para definir a conduta. No entanto, na bronquiolite típica, o Raio-X não muda a conduta e pode até levar a tratamentos desnecessários, como antibióticos, se atelectasias forem confundidas com pneumonia.
- A alternativa C propõe solicitar um teste de detecção viral. Embora útil para epidemiologia, esse teste não altera o tratamento de suporte do paciente individual, que é o foco principal na emergência.
- A alternativa D sugere prescrever um beta-2-agonista. As diretrizes atuais não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores na bronquiolite, pois não reduzem o tempo de internação ou a duração da doença e podem causar efeitos adversos.
- Finalmente, a alternativa A, que indica oxigenoterapia e hidratação, é a conduta correta. Diante da hipoxemia e do desconforto respiratório, essas medidas de suporte são o pilar do tratamento da bronquiolite.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança de três meses com quadro clínico de bronquiolite e saturação de oxigênio de 90 por cento, pense sempre em oxigenoterapia e hidratação como as primeiras medidas de suporte.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Bronquiolite: oxigênio e hidratação — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Bronquiolite aguda — Departamento de Pneumologia (Diretrizes) (SBP, 2026) · Clinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis (AAP, 2014 (reafirmada)) · Bronchiolitis in infants and children: Treatment, outcome, and prevention (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bronquiolite agudaSBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em