Um lactente de 8 meses de idade, previamente hígido, nascido a temo com peso adequado para a idade gestacional, é levado pelos pais ao pronto atendimento com história de tosse há 3 dias e febre de 38 °C há um dia, medicado com paracetamol com boa resposta. Está se alimentando normalmente, sem vômitos ou diarreia. A mãe refere que é a primeira vez que o filho adoece e que as vacinas estão atualizadas. Ao exame físico apresenta bom estado geral, corado, hidratado, com coriza hialina e obstrução nasal leve. A expiração está prolongada e sem uso de musculatura acessória, FR: 48 ipm e saturação ao oxímetro em ar ambiente: 95%. O murmúrio vesicular está presente com sibilos em ambos os hemitórax. As bulhas cardíacas estão rítmicas em 2 tempos e sem sopros, FC: 120 bpm. Abdome globoso, flácido, sem visceromegalias. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos e pulsos periféricos de amplitudes normais. Demais dados do exame físico normais. Realizado teste rápido para Influenza e Covid-19, que resultaram negativos, e teste rápido para Vírus Sincicial respiratório que resultou positivo. Qual a conduta mais adequada para esse caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Primeiro, temos um lactente de oito meses de idade, o que é um dado crucial para pensarmos nas doenças respiratórias mais comuns nessa faixa etária.
- Ele apresenta tosse há três dias e febre de 38 graus Celsius há um dia, o que nos indica um quadro agudo de infecção respiratória.
- É importante notar que ele está em bom estado geral, corado e hidratado, e se alimentando normalmente, o que já nos dá uma pista sobre a gravidade do quadro.
- Ao exame físico, observamos coriza hialina e obstrução nasal leve, além de expiração prolongada e sibilos em ambos os hemitórax, achados bem característicos de bronquiolite.
- A frequência respiratória de 48 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 95 por cento em ar ambiente são parâmetros que, para a idade, indicam um quadro respiratório, mas sem sinais de insuficiência respiratória grave.
- Por fim, o teste rápido para Vírus Sincicial Respiratório positivo confirma a etiologia viral, que é a principal causa da bronquiolite.
- Com base na idade do lactente, nos sintomas respiratórios como tosse, coriza, expiração prolongada e sibilos, e na confirmação do Vírus Sincicial Respiratório, o diagnóstico mais provável é bronquiolite aguda.
- Apesar dos sintomas, o bom estado geral, a ausência de uso de musculatura acessória, a saturação de oxigênio acima de 90 por cento e a boa aceitação alimentar classificam este caso como uma bronquiolite leve.
- Para a bronquiolite leve, o tratamento é essencialmente de suporte, focado no alívio dos sintomas e na monitorização de sinais de piora.
- A alternativa A sugere inalação com salbutamol. No entanto, o salbutamol não é recomendado como tratamento rotineiro para a bronquiolite, pois não há evidências de benefício significativo na maioria dos casos.
- A alternativa B propõe inalação com budesonida. Corticoides inalatórios, como a budesonida, também não modificam a evolução da bronquiolite aguda de forma rotineira e não são indicados.
- A alternativa C indica oseltamivir oral. O oseltamivir é um antiviral específico para o vírus Influenza, e não tem ação contra o Vírus Sincicial Respiratório, que foi o agente etiológico confirmado neste caso.
- A alternativa D sugere amoxicilina oral. Antibióticos, como a amoxicilina, são indicados apenas se houver suspeita ou confirmação de infecção bacteriana associada, o que não é o caso aqui.
- A alternativa E, lavagem nasal e inalação com soro fisiológico, representa as medidas de suporte mais adequadas para a bronquiolite leve. A higiene nasal é fundamental para aliviar a obstrução e o desconforto respiratório, e a inalação com soro fisiológico pode ajudar a umidificar as vias aéreas.
- Em uma criança com menos de dois anos, apresentando tosse, sibilância e diagnóstico de bronquiolite leve, pense sempre em tratamento de suporte, com foco na higiene das vias aéreas.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bronquiolite agudaSBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.