Paciente de 5 anos, com queixa de astenia, fadiga, manchas roxas pelo corpo e dor nas pernas há 2 semanas. Ao exame físico, hipocorada +++/4+, hidratada, ativa e reativa. Temperatura axilar 38,5 ºC. Ausculta pulmonar sem alterações. Bulhas cardíacas rítmicas, 2 tempos, com presença de sopro sistólico ++/4+. Fígado palpável a 5 cm do rebordo costal, e baço a 6 cm. Petéquias e equimoses em membros inferiores. Hemograma evidenciando Hb 4,0 g/dL, VCM 84 fL, leucócitos 600x103/uL, plaquetas 2.000/uL. O diagnóstico provável é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma paciente de cinco anos, uma idade pediátrica importante para pensarmos em algumas doenças específicas.
- Ela apresenta queixas de astenia, fadiga, manchas roxas pelo corpo e dor nas pernas há duas semanas. Esses são sintomas inespecíficos, mas a duração de duas semanas sugere um quadro subagudo, não algo agudíssimo.
- Ao exame físico, a criança está hipocorada três cruzes em quatro, o que significa uma palidez acentuada, um sinal claro de anemia importante.
- A temperatura axilar de 38,5 graus Celsius indica febre, que pode ser um sinal de infecção ou de alguma doença de base.
- A presença de um sopro sistólico dois cruzes em quatro pode estar relacionado à anemia severa, já que o coração precisa trabalhar mais para compensar a baixa oxigenação.
- Um achado muito importante é o fígado palpável a cinco centímetros do rebordo costal e o baço a seis centímetros. Isso indica uma organomegalia significativa, tanto de fígado quanto de baço.
- As petéquias e equimoses em membros inferiores confirmam as manchas roxas que a mãe referiu, indicando um problema de coagulação ou plaquetas.
- Agora, vamos aos exames. O hemograma mostra uma hemoglobina de 4,0 gramas por decilitro, o que é uma anemia gravíssima.
- O VCM de 84 fL indica que a anemia é normocítica, ou seja, o tamanho das hemácias está normal, o que nos ajuda a direcionar o raciocínio.
- Os leucócitos estão em 600.000 por microlitro. Esse é um valor extremamente elevado, uma hiperleucocitose assustadora.
- E as plaquetas estão em 2.000 por microlitro, uma plaquetopenia severíssima, que explica as petéquias e equimoses.
- Juntando tudo, temos uma criança com anemia grave, plaquetopenia grave e uma hiperleucocitose extrema, além de febre e hepatoesplenomegalia.
- Essa combinação de citopenias (anemia e plaquetopenia) com uma leucocitose tão alta e organomegalias é muito sugestiva de uma proliferação maligna na medula óssea.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere anemia aplástica severa. A anemia aplástica causa pancitopenia, mas não essa hiperleucocitose extrema que vimos no hemograma.
- A alternativa B fala em deficiência de B12. Embora a deficiência de vitamina B12 possa causar pancitopenia, ela geralmente se associa a anemia macrocítica, e nosso paciente tem VCM normal. Além disso, não explicaria essa hiperleucocitose e a organomegalia.
- A alternativa C, endocardite bacteriana, não explica a combinação extrema de alterações hematológicas como anemia grave, plaquetopenia e, principalmente, a hiperleucocitose e a organomegalia.
- A alternativa E menciona trombocitopenia primária imune, ou PTI. A PTI é caracterizada por plaquetopenia isolada, ou seja, sem anemia ou leucocitose. Nosso paciente tem anemia e uma leucocitose altíssima, então não se encaixa.
- Por fim, a alternativa D, leucemia linfocítica aguda. Este diagnóstico se encaixa perfeitamente com todos os achados: anemia, plaquetopenia, hiperleucocitose extrema, febre, sangramentos e organomegalia. A leucemia é uma proliferação descontrolada de células imaturas na medula óssea, que suprime a produção de outras linhagens e pode invadir órgãos como fígado e baço.
- Então, em uma criança de cinco anos, com anemia grave, plaquetopenia, hiperleucocitose e organomegalia, pense sempre em leucemia, que exige investigação e tratamento urgentes.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Childhood acute lymphoblastic leukemia treatment — PDQNCI, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.