Paciente do sexo masculino, com 5 anos, é levado pela mãe ao pronto atendimento devido a quadro de tosse há 5 dias. Mãe relata que a tosse, no início, era mais persistente à noite, porém, há 1 dia, a tosse tornou-se persistente dia e noite. Além disso, relata picos febris termometrados entre 38,5-39,5 graus há 3 dias, mais persistentes nas últimas 24 horas. A criança queixa-se de dor abdominal não bem localizada iniciada no dia do atendimento médico. Paciente hiporético. Mãe relata que criança é previamente hígida, com todas as vacinas feitas na rede particular. Ao exame físico: paciente prostrado, acianótico, anictérico, desidratado +/4+, febril ao toque, com extremidades aquecidas e pulsos amplos e simétricos, TEC < 2s, MV+ com crepitações em HTX à esquerda, TIC moderada, FR = 48 ipm, SATO2 91-92% em aa, abdome plano, RHA+, flácido, doloroso à palpação em hipocôndrio esquerdo, DB negativo. Considerando esse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um paciente do sexo masculino, com cinco anos de idade. Essa idade é importante para pensarmos nas etiologias mais comuns de pneumonia e também para definir os parâmetros de normalidade dos sinais vitais.
- Ele é levado ao pronto atendimento por tosse há cinco dias. O tempo de evolução da tosse, que se tornou persistente dia e noite, já nos alerta para um quadro respiratório mais estabelecido.
- A mãe relata picos febris termometrados entre trinta e oito vírgula cinco e trinta e nove vírgula cinco graus há três dias, mais persistentes nas últimas vinte e quatro horas. Febre alta e prolongada é um sinal de alerta para infecção bacteriana, como a pneumonia.
- Ao exame físico, o paciente está prostrado. A prostração é um sinal de gravidade, indicando que a criança não está bem e precisa de atenção imediata.
- Também notamos que ele está desidratado mais barra quatro mais. A desidratação é outro sinal de gravidade que pode complicar o quadro e exige intervenção.
- A ausculta revela murmúrio vesicular presente com crepitações em hemitórax à esquerda. As crepitações são achados típicos de pneumonia, indicando inflamação e acúmulo de secreções nos alvéolos.
- A frequência respiratória é de quarenta e oito incursões por minuto, e há tiragem intercostal moderada. Para uma criança de cinco anos, uma frequência respiratória acima de quarenta é taquipneia, e a tiragem indica esforço respiratório, ambos sinais de gravidade.
- A saturação de oxigênio é de noventa e um a noventa e dois por cento em ar ambiente. A hipoxemia, ou seja, saturação abaixo de noventa e quatro por cento em ar ambiente, é um dos principais critérios de gravidade na pneumonia pediátrica.
- Juntando todos esses achados, temos uma criança com quadro clínico compatível com pneumonia, evidenciado pela tosse, febre, crepitações e dor abdominal, que pode ser referida da pneumonia de lobo inferior.
- Mais importante, essa pneumonia apresenta múltiplos sinais de gravidade: prostração, desidratação, taquipneia com esforço respiratório e hipoxemia.
- Diante de uma pneumonia com sinais de gravidade, o tratamento ambulatorial não é uma opção segura. A criança precisa de internação hospitalar para monitoramento e suporte.
- A hipoxemia exige oxigenoterapia. A cânula nasal de oxigênio é a forma inicial de suporte respiratório para manter a saturação adequada.
- Além disso, uma pneumonia grave em criança geralmente requer antibiótico parenteral, como a ampicilina, para garantir a eficácia e rápida ação contra o agente infeccioso.
- Analisando a alternativa A, ela afirma que se trata de uma pneumonia sem sinais de gravidade e propõe tratamento ambulatorial. Isso está incorreto, pois o paciente apresenta hipoxemia e esforço respiratório, que são claros sinais de gravidade.
- A alternativa D também sugere uma pneumonia sem sinais de gravidade e tratamento ambulatorial. Ampliar o antibiótico oral não resolve a necessidade de suporte respiratório e monitoramento hospitalar que este paciente precisa.
- A alternativa C propõe internação em UTI. Embora seja uma pneumonia grave, a internação em UTI depende de falência orgânica ou necessidade de suporte intensivo que não está explicitamente descrita aqui, como ventilação mecânica. Nem toda pneumonia grave exige UTI de imediato.
- Por fim, a alternativa B está correta. Ela reconhece que se trata de uma pneumonia com sinais de gravidade, indicando internação, medidas iniciais como coleta de exames e raio-X, oxigenoterapia com cânula nasal e início de ampicilina. Isso está totalmente alinhado com a conduta para uma pneumonia grave em pediatria.
- Para finalizar, lembre-se que uma criança com pneumonia e sinais de gravidade, como hipoxemia e esforço respiratório, sempre deve ser internada e receber oxigênio e antibiótico parenteral.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Abordagem diagnóstica e terapêutica da PAC não complicadaSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
- Pneumonias adquiridas na comunidade complicadasSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.