Pré-escolar de 3 anos é levado à emergência com quadro febril persistente há mais de cinco dias. Ao exame físico, apresenta conjuntivite sem exsudato, “língua em morango”, exantema polimorfo, e eritema palmar com edema em mãos e pés. Foram solicitados exames laboratoriais que revelaram leucocitose com neutrofilia e elevação das transaminases séricas. A conduta adequada nesse caso inclui:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um pré-escolar de três anos de idade. Essa faixa etária é importante para pensarmos em algumas doenças específicas da pediatria.
- Ele foi levado à emergência com um quadro de febre persistente há mais de cinco dias. A duração da febre é um critério diagnóstico fundamental para a doença que estamos investigando.
- Ao exame físico, a criança apresenta conjuntivite sem exsudato. Este é um dos critérios maiores para o diagnóstico.
- Outro achado clássico é a língua em morango, que também é um critério maior.
- Ele também tem exantema polimorfo, que é mais um critério maior da doença.
- E, para completar os achados mucocutâneos, observamos eritema palmar com edema em mãos e pés. Este é o quinto critério maior que nos leva ao diagnóstico.
- Os exames laboratoriais revelaram leucocitose com neutrofilia e elevação das transaminases séricas, o que corrobora um processo inflamatório sistêmico.
- Juntando a idade do paciente, a febre persistente por mais de cinco dias e a presença de cinco dos seis critérios maiores (conjuntivite, língua em morango, exantema, eritema e edema de extremidades), o diagnóstico mais provável é a doença de Kawasaki.
- A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que acomete principalmente crianças pequenas e, se não tratada, pode levar a complicações cardíacas graves, como aneurismas de artérias coronárias.
- Portanto, a conduta deve ser direcionada ao tratamento específico da doença de Kawasaki e à avaliação de suas complicações.
- Analisando a alternativa B, que sugere corticoide sistêmico, antibiótico amplo e ultrassonografia abdominal. O antibiótico não tem lugar no tratamento da doença de Kawasaki, que não é uma infecção bacteriana primária. A ultrassonografia abdominal não é a avaliação de imagem prioritária. O corticoide pode ser adjuvante em casos selecionados, mas não é a terapia inicial isolada e não justifica os outros erros.
- Na alternativa C, temos aspirina por seis semanas, corticoide sistêmico e tomografia de crânio. A tomografia de crânio não tem indicação sem sintomas neurológicos específicos. Embora a aspirina seja usada, a alternativa está incompleta e misturada com um exame desnecessário.
- A alternativa D propõe antibiótico de amplo espectro, anti-inflamatório não hormonal e avaliação de líquor. Novamente, o antibiótico é um erro fundamental, pois não se trata de uma infecção bacteriana. A avaliação de líquor também não é indicada sem sinais de meningite ou outras complicações neurológicas específicas.
- Finalmente, a alternativa A sugere aspirina anti-inflamatória, imunoglobulina intravenosa e ecocardiograma imediato. Esta é a conduta correta. A imunoglobulina intravenosa é o tratamento padrão ouro para reduzir o risco de aneurismas coronarianos. A aspirina é usada em dose anti-inflamatória na fase aguda e depois em dose antiagregante. O ecocardiograma é essencial para avaliar o acometimento das artérias coronárias, que é a complicação mais temida da doença de Kawasaki.
- Então, lembre-se: uma criança de três anos, com febre persistente e múltiplos sinais mucocutâneos, pense sempre em doença de Kawasaki e na necessidade de tratamento imediato para proteger o coração.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Kawasaki diseaseRoyal Children's Hospital, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.