Um menino de 4 anos, previamente saudável, é levado à unidade de pronto atendimento por apresentar lesões na face há cinco dias. Os pais relatam que as lesões, inicialmente, surgiram como uma pequena pápula eritematosa próxima ao nariz, que evoluiu para vesículas e depois crostas amareladas, aderentes e de aspecto melicérico. A criança frequenta creche, e há outros colegas que apresentaram lesões semelhantes recentemente. O paciente está afebril, em bom estado geral, e o exame físico mostra lesões restritas à região perinasal e perioral, sem linfadenopatia regional. Diante do caso, a conduta mais adequada é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Primeiro, vamos ver a idade do paciente: um menino de quatro anos. Essa idade é bem comum para infecções de pele contagiosas, como o impetigo, especialmente em crianças que frequentam creche.
- As lesões estão presentes há cinco dias, o que nos mostra uma evolução aguda, típica de infecções bacterianas de pele.
- A descrição das lesões é crucial: começou como uma pápula eritematosa, evoluiu para vesículas e, o mais importante, para crostas amareladas, aderentes e de aspecto melicérico. Essa é a descrição clássica do impetigo contagioso.
- O fato de a criança frequentar creche e haver outros colegas com lesões semelhantes reforça muito a hipótese de impetigo, que é uma infecção altamente contagiosa e comum em ambientes coletivos.
- É importante notar que o paciente está afebril e em bom estado geral, com as lesões restritas à região perinasal e perioral, sem linfadenopatia regional. Isso indica que a infecção é localizada e não há sinais de gravidade ou disseminação sistêmica.
- Juntando todos esses pontos – idade, tipo de lesão com crostas melicéricas, contexto de creche com surto e o bom estado geral com lesões localizadas – chegamos ao diagnóstico de impetigo contagioso.
- Como o impetigo é localizado, sem febre ou linfadenopatia, e o paciente está em bom estado geral, a conduta inicial mais adequada é o tratamento tópico.
- A alternativa A sugere prescrever aciclovir oral para tratar herpes. No entanto, as crostas melicéricas são características de impetigo bacteriano, não de herpes, que geralmente causa vesículas agrupadas e úlceras.
- A alternativa B propõe iniciar oxacilina oral e solicitar cultura. A oxacilina é um antibiótico sistêmico, e para poucas lesões localizadas, como as do nosso paciente, o tratamento sistêmico não é obrigatório. A cultura pode ser útil em casos refratários, mas não é a conduta inicial mais adequada aqui.
- A alternativa C sugere iniciar cefalexina oral e glicocorticoide tópico. A cefalexina é um antibiótico sistêmico, que, como já dissemos, não é a primeira escolha para impetigo localizado. Além disso, o corticoide tópico não é parte rotineira do tratamento do impetigo e pode até piorar a infecção bacteriana.
- A alternativa D, que é a correta, propõe prescrever mupirocina tópica nas lesões e orientar higiene local adequada. A mupirocina é um antibiótico tópico muito eficaz contra as bactérias mais comuns do impetigo, e a higiene local é fundamental para evitar a disseminação e auxiliar na recuperação, sendo a escolha ideal para impetigo limitado.
- Então, em uma criança com lesões de pele com crostas melicéricas e bom estado geral, pense sempre em impetigo e na possibilidade de tratamento tópico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Cellulitis and other bacterial skin infectionsRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.