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Pediatrando

Pré-escolar de 3 anos, sexo masculino, internado por abdome agudo obstrutivo, secundário a hérnia inguinal encarcerada. Optado por cirurgia aberta, evolui no pós-operatório com íleo paralítico persistente. Encontra-se em jejum há 4 dias, com sonda nasogástrica aberta com drenagem volumosa. Exame físico: estado geral regular, palidez 1+/4+, hidratado, acianótico, anictérico, eupneico, afebril. Peso: 12,1 kg (Z-score peso/idade -2,3, Z-score altura/idade -1,8). Frequência cardíaca: 122 bpm e pressão arterial adequada para idade. Abdome: distendido, sem visceromegalias, ruídos hidroaéreos ausentes. Ferida cirúrgica em bom estado. Sem outras alterações. Exames laboratoriais: * Hemoglobina 10 g/dL; * Hematócrito 30 %; * Leucócitos 12000/mm3 (70% neutrófilos); * Plaquetas 250.000/mm3; * Albumina: 2,0 g/dL; * Na 135 mEq/L; * Potássio 3,5 mEq/L; * Fósforo: 2,3 mg/dL; * Magnésio: 1,4 mg/dL; * Glicemia: 68 mg/dL; * Ureia 18 mg/dL; * Creatinina 0,2 mg/dL. Além da correção e monitorização dos distúrbios hidroeletrolíticos, qual é a conduta nutricional mais adequada?

Decimal com vírgula. Crase ausente na alternativa.

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Resposta: C

  1. A) Iniciar infusão diária de albumina 20%, até normalização da albumina sérica.

    Albumina 20% não trata desnutrição: a hipoalbuminemia reflete inflamação, perdas e déficit proteico, e a albumina infundida é catabolizada sem ganho nutricional. Seu uso se restringe a situações como hipovolemia refratária ou síndrome nefrótica com edema grave.

  2. B) Iniciar nutrição enteral por sonda gástrica, para estímulo da mucosa intestinal.

    Íleo paralítico persistente, abdome distendido sem ruídos hidroaéreos e sonda nasogástrica com drenagem volumosa contraindicam a dieta enteral, que só volta com o retorno do trânsito. Iniciar dieta gástrica agora aumentaria vômitos, distensão e risco de aspiração.

  3. C) Iniciar nutrição parenteral, para prevenção da síndrome de realimentação.

    Nutrição parenteral está indicada porque o tubo digestivo não pode ser usado e a criança, já desnutrida (peso/idade -2,3 escores Z), soma 4 dias de jejum sem previsão de retorno do trânsito. A justificativa da alternativa é imprecisa: a parenteral não previne a síndrome de realimentação, ela é que exige cuidado; hipofosfatemia, hipomagnesemia e hipoglicemia indicam alto risco, e por isso se corrigem os eletrólitos, se dá tiamina e se inicia com 30% a 50% da meta, progredindo em 5 a 7 dias.

  4. D) Adicionar vitaminas à hidratação venosa, até o retorno do peristaltismo.

    Vitaminas na hidratação venosa, em especial a tiamina pelo risco de realimentação, são necessárias, mas não fornecem calorias nem proteínas. Esperar o peristaltismo prolongaria o jejum de uma criança desnutrida que já está há 4 dias sem aporte nutricional.

Resumo para lembrar

Íleo paralítico contraindica a dieta enteral; criança desnutrida em jejum há 4 dias, sem previsão de retorno do trânsito, tem indicação de nutrição parenteral. Com fósforo, magnésio e potássio baixos, o risco de realimentação é alto: corrigir eletrólitos, dar tiamina, iniciar com 30% a 50% da meta e progredir em 5 a 7 dias com dosagens diárias.

Explicação

Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

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