Uma criança de 24 meses é trazida ao pediatra porque os pais relatam que ela fala poucas palavras, não responde quando chamada pelo nome e raramente estabelece contato visual. Durante a aplicação do M-CHAT-R/F, a criança apresenta vários itens críticos positivos, incluindo movimentos estereotipados, ausência de contato visual, ausência de apontar para compartilhar interesse e falta de resposta social. O pediatra está diante de um resultado que sugere alto risco para Transtorno do Espectro Autista (TEA). Qual é a conduta mais adequada neste caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Então, vamos começar analisando o caso, tá bom? Primeiro, a criança tem 24 meses, o que já nos diz que estamos falando de um lactente maior ou uma criança pequena, uma fase crucial do desenvolvimento.
- Os pais relatam que ela fala poucas palavras, não responde quando chamada pelo nome e raramente estabelece contato visual... esses são sinais de alerta importantes, não é mesmo?
- Aí, foi aplicado o M-CHAT-R/F, que é uma ferramenta de triagem muito útil para o Transtorno do Espectro Autista.
- E o resultado mostrou vários itens críticos positivos, como movimentos estereotipados, ausência de contato visual, ausência de apontar para compartilhar interesse e falta de resposta social.
- Com esses achados, o pediatra concluiu que estava diante de um resultado que sugere alto risco para Transtorno do Espectro Autista.
- Quando temos um M-CHAT-R/F com alto risco, especialmente com itens críticos positivos, a conduta é bem clara, não podemos perder tempo.
- A idade da criança, de 24 meses, é um período de grande plasticidade cerebral, então a intervenção precoce é fundamental para um melhor prognóstico.
- Vamos analisar a alternativa A: Orientar terapia fonoaudiológica por 3 meses e então avaliar necessidade de investigação adicional.
- Essa alternativa está incorreta porque a fonoterapia isolada, por si só, atrasaria muito o diagnóstico e a intervenção global que essa criança precisa, numa fase tão importante do desenvolvimento.
- Agora, a alternativa C: Orientar estímulos e reaplicar o M-CHAT-R/F em 3 meses para verificar se houve melhora.
- Essa também está incorreta. Reaplicar o teste mais tarde só é uma opção para casos de baixo risco ou risco moderado, e mesmo assim, em crianças mais novas. Com alto risco, esperar três meses é perder um tempo precioso de intervenção.
- Vamos para a alternativa D: Orientar estímulos e explicar aos pais que o diagnóstico de TEA só pode ser feito a partir dos 3 anos de idade.
- Essa afirmação está errada. O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista pode ser feito com segurança a partir dos 18 a 24 meses por um profissional experiente, e esperar até os três anos atrasa a intervenção, que é o que realmente melhora o prognóstico.
- Por fim, a alternativa B: Encaminhar imediatamente para avaliação e intervenção de equipe multidisciplinar especializada.
- Essa é a conduta mais adequada. Uma criança de 24 meses com alto risco no M-CHAT-R/F e vários itens críticos positivos precisa ser encaminhada imediatamente para uma avaliação diagnóstica e intervenção precoce por uma equipe multidisciplinar especializada. Isso está alinhado com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
- Então, criança de 24 meses com alto risco no M-CHAT-R/F, pense sempre em encaminhamento imediato para avaliação e intervenção multidisciplinar.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Transtorno do Espectro do Autismo: manual de orientaçãoSBP, 2019 · conferida em 28/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em