Pré-escolar, feminino, três anos, está internado em setor de isolamento com diagnóstico de meningite meningocócica pela segunda vez. O primeiro episódio ocorreu há um ano aproximadamente. Não há histórico de outras infecções ou outras doenças. O paciente tem imunização completa segundo o Programa Nacional de Imunizações. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e o exame inicial indicado para a investigação.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Nossa paciente é uma pré-escolar de três anos. Essa idade é importante para contextualizar o tipo de infecções e o desenvolvimento do sistema imune.
- Ela está internada com diagnóstico de meningite meningocócica pela segunda vez. A recorrência de uma infecção grave como a meningite meningocócica é um dado extremamente relevante e aponta para uma falha na defesa do organismo.
- O primeiro episódio ocorreu há um ano aproximadamente, confirmando que não é uma infecção persistente, mas sim uma nova ocorrência.
- O enunciado nos diz que não há histórico de outras infecções ou outras doenças. Isso é crucial, pois restringe o leque de possíveis imunodeficiências a algo mais específico, e não uma imunodeficiência generalizada.
- Além disso, a paciente tem imunização completa segundo o Programa Nacional de Imunizações. Isso significa que ela deveria estar protegida contra os sorogrupos de meningococo cobertos pela vacina, tornando a recorrência ainda mais intrigante.
- Juntando todos esses pontos, temos uma criança com meningite meningocócica de repetição, sem outras infecções e com vacinação em dia. Isso nos faz pensar em uma falha específica na defesa contra a bactéria Neisseria meningitidis.
- A Neisseria meningitidis é uma bactéria que é muito bem combatida pelo sistema complemento, especialmente pelos seus componentes finais que formam o complexo de ataque à membrana. Uma deficiência nesses componentes é uma causa clássica de infecções meningocócicas recorrentes.
- Para triar deficiências do sistema complemento, o exame inicial mais indicado é a dosagem de CH50, que avalia a via clássica do complemento. Se alterado, ele nos direciona para uma investigação mais aprofundada.
- A alternativa B sugere Imunodeficiência Comum Variável. Essa condição geralmente causa infecções sinopulmonares repetidas por bactérias encapsuladas, diarreia crônica e autoimunidade, e costuma se manifestar mais tarde, a partir da adolescência, o que não se encaixa no quadro da nossa paciente.
- A alternativa C fala em Agamaglobulinemia autossômica recessiva. Essa imunodeficiência se manifesta com otites, sinusites e pneumonias de repetição desde os seis meses de idade, e a investigação é feita com imunoglobulinas e CD19, não com CD4 e CD8, que avaliam linfócitos T. O quadro da paciente não se encaixa.
- Já a alternativa D menciona Defeitos na produção de anticorpos para polissacarídeos. Embora cause infecções por pneumococo e Haemophilus, não explica a recorrência de meningococo em uma criança vacinada, pois a vacina meningocócica conjugada induz resposta T-dependente, e não apenas polissacarídica.
- A alternativa A, Defeito dos componentes finais do sistema complemento e dosagem de CH50, é a que melhor se alinha com o nosso raciocínio. A Neisseria é destruída pelo complexo de ataque à membrana, formado pelos componentes finais do complemento, e o CH50 é o exame de triagem para essa via.
- Então, uma criança de três anos com meningite meningocócica de repetição, sem outras infecções e com vacinação completa, sempre nos faz pensar em deficiência dos componentes terminais do sistema complemento.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Primary immunodeficienciesRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.