Pré-escolar, sexo feminino, 3 anos de idade, apresenta lesões eczematosas pruriginosas desde os 6 meses de vida, que geralmente pioram na época do inverno. Nas últimas duas semanas, surgiram pápulas eritematosas exsudativas com crostas melicéricas em fossas cubitais e poplíteas. Mãe relata prurido intenso, que piora após banho quente. Ao exame clínico, apresenta áreas de liquenificação, escoriações e crostas amareladas em membros superiores e inferiores. Com base no diagnóstico mais provável, a conduta adequada é
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Então, vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma pré-escolar, do sexo feminino, com três anos de idade.
- Ela apresenta lesões eczematosas e pruriginosas desde os seis meses de vida, o que já nos dá uma pista de cronicidade e um início precoce.
- Essas lesões geralmente pioram na época do inverno, um fator comum para doenças de pele que se beneficiam da umidade.
- Nas últimas duas semanas, surgiram pápulas eritematosas exsudativas com crostas melicéricas nas fossas cubitais e poplíteas. As crostas melicéricas são um sinal muito importante aqui.
- A mãe relata prurido intenso, que piora após banho quente. O prurido é um sintoma cardinal e o banho quente é um gatilho conhecido para ressecamento da pele.
- Ao exame clínico, a criança apresenta áreas de liquenificação, escoriações e crostas amareladas em membros superiores e inferiores. A liquenificação indica cronicidade e as crostas amareladas reforçam a suspeita anterior.
- Juntando o início precoce, a cronicidade, o prurido intenso, a localização típica e a piora no inverno, temos um quadro clássico de dermatite atópica.
- As crostas melicéricas e as crostas amareladas, tanto no enunciado quanto no exame físico, são fortes indicativos de uma infecção bacteriana secundária, ou seja, uma impetiginização das lesões.
- Portanto, o diagnóstico mais provável é dermatite atópica com infecção bacteriana secundária.
- O tratamento da dermatite atópica sempre envolve intensificar a hidratação da pele e controlar a inflamação, geralmente com corticoides tópicos.
- E, como temos sinais claros de infecção secundária, precisamos adicionar um antibiótico, que pode ser tópico se a infecção for localizada.
- Analisando a alternativa B, que sugere excluir leite e derivados da dieta, iniciar corticoide oral e anti-histamínico oral por sete dias. A exclusão de alimentos não é rotina sem uma indicação específica de alergia alimentar comprovada, e o corticoide oral não é a primeira linha para dermatite atópica, sendo reservado para casos mais graves ou refratários.
- A alternativa C propõe intensificar banhos com sabonete bactericida e iniciar tratamento com tacrolimo ou pimecrolimo tópicos. Sabonetes bactericidas e banhos excessivos podem ressecar ainda mais a pele e comprometer a barreira cutânea, piorando a dermatite atópica. Embora tacrolimo e pimecrolimo sejam opções para dermatite atópica, a primeira parte da conduta está incorreta.
- A alternativa D sugere usar antifúngico tópico e evitar hidratantes tópicos até regressão completa das lesões. Não há indicação de infecção fúngica no quadro, e evitar hidratantes é o oposto do que se deve fazer na dermatite atópica, pois eles são fundamentais para restaurar a barreira da pele.
- Finalmente, a alternativa A indica intensificar a hidratação da pele, iniciar antibiótico tópico associado a corticoide tópico de baixa potência. Esta conduta está perfeita, pois aborda a hidratação para a barreira cutânea, o antibiótico tópico para a infecção secundária localizada e o corticoide tópico para a inflamação da dermatite atópica.
- Então, lembre-se: em uma criança com dermatite atópica e sinais de infecção secundária, como crostas melicéricas, sempre pense em intensificar a hidratação, tratar a inflamação e a infecção.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Dermatite atópicaSBP, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.