- A) Hiperventilação
A hiperventilação reduz a PaCO₂, provoca vasoconstrição cerebral e diminui o fluxo sanguíneo para um cérebro que acabou de sofrer isquemia, agravando a lesão. Após o RCE, a meta é ventilar para normocapnia, evitando tanto a hipocapnia quanto a hipercapnia.
- B) Hipotermia abaixo do normal
Resfriar ativamente abaixo do normal não trouxe benefício neurológico em relação à normotermia controlada nos ensaios pediátricos (THAPCA) e expõe a arritmias, coagulopatia e infecção. Na criança que permanece comatosa após o RCE, a prioridade é o controle direcionado da temperatura, com monitorização contínua e prevenção ativa da febre.
- C) Controle da temperatura e da glicemia
A lesão cerebral secundária após o RCE é agravada por febre, hipo ou hiperglicemia, hipóxia, hiperóxia e hipotensão. Monitorizar continuamente a temperatura, prevenir a febre e manter a glicemia na faixa normal, junto com SpO₂ de 94–99%, normocapnia e pressão adequada, é o núcleo dos cuidados pós-parada.
- D) Alimentação precoce
A nutrição enteral é retomada quando o paciente estiver hemodinamicamente estável, mas não atua sobre os mecanismos de lesão cerebral secundária. Nas primeiras horas após o RCE, a prioridade é oxigenação, ventilação, perfusão, temperatura e glicemia.
Resumo para lembrar
Após o retorno da circulação espontânea, o cérebro é protegido evitando agressões secundárias: febre, hipo e hiperglicemia, hipóxia e hiperóxia (SpO₂ 94–99%), hipo e hipercapnia (meta de normocapnia) e hipotensão. Na criança comatosa, o controle direcionado da temperatura, com monitorização contínua e prevenção ativa da febre, é a medida central; hiperventilar piora a perfusão cerebral.