Recém-nascida, sexo feminino, 15 dias de vida, deu entrada no pronto-socorro por quadro de recusa alimentar, letargia e febre (38,4 °C) iniciados desde ontem. Trata-se de criança nascida a termo, parto vaginal, sem intercorrências perinatais. Ao exame clínico, criança em regular estado geral; descorada 1+/4+; FC: 176 bpm; FR: 58 irpm; SatO2: 94% em ar ambiente; perfusão periférica lentificada. Observam-se vesículas eritematosas em região periocular e mucosa oral. É prescrita expansão com 10 mL/kg de soro fisiológico e são colhidos exames complementares com os seguintes achados: - Hemograma: Hb: 13,2 g/dL; Ht: 42%; leucócitos: 25.200/mm³ (8% de bastonetes e 68% de neutrófilos); plaquetas: 128.000/mm³. - AST (TGO): 185 U/L; ALT (TGP): 142 U/L; proteína C reativa: 38 mg/L. - Glicemia: 66 mg/dL; sódio: 137 mEq/ L; potássio: 4,8 mEq/L. - Radiografia de tórax sem alterações. - Liquor é coletado, e aguarda-se o resultado. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. O primeiro dado que chama a atenção é que se trata de uma recém-nascida de 15 dias de vida. Essa idade é super importante, porque recém-nascidos até 28 dias são considerados neonatos, e a abordagem para febre e infecção neles é bem diferente.
- Ela deu entrada com um quadro de recusa alimentar, letargia e febre de 38,4 graus Celsius, que começaram desde ontem. Esses são sinais de alarme clássicos em neonatos, indicando que a criança está doente e precisa de atenção urgente.
- Ao exame clínico, a criança está em regular estado geral, descorada, com frequência cardíaca de 176 batimentos por minuto, frequência respiratória de 58 incursões respiratórias por minuto, saturação de oxigênio de 94 por cento em ar ambiente e perfusão periférica lentificada. Esses achados apontam para um quadro de gravidade, com taquicardia, taquipneia e sinais de má perfusão, que podem indicar choque.
- Um achado crucial são as vesículas eritematosas em região periocular e mucosa oral. A presença de vesículas em um neonato com quadro sistêmico é um sinal muito forte de infecção por Herpes Simples Vírus, que é uma condição grave e que exige tratamento específico.
- Os exames complementares mostram leucocitose de 25.200 por milímetro cúbico com 8 por cento de bastonetes, o que indica um desvio à esquerda e sugere uma infecção bacteriana. As plaquetas estão em 128.000 por milímetro cúbico, um pouco baixas, o que também pode ser um sinal de sepse.
- As enzimas hepáticas, AST de 185 unidades por litro e ALT de 142 unidades por litro, estão elevadas. Isso pode ser um achado da sepse, mas também é muito comum na infecção por Herpes Simples Vírus neonatal, que pode causar hepatite.
- A proteína C reativa de 38 miligramas por litro está bem elevada, confirmando um processo inflamatório ou infeccioso importante.
- Diante de um neonato com febre, sinais de gravidade e alterações laboratoriais, a principal hipótese diagnóstica é sepse neonatal, que é uma emergência e exige tratamento imediato.
- Além da sepse, a presença das vesículas eritematosas em região periocular e oral levanta uma forte suspeita de infecção por Herpes Simples Vírus neonatal, que também é uma condição muito grave e que precisa de tratamento antiviral específico.
- Portanto, a conduta inicial deve cobrir tanto a sepse bacteriana quanto a infecção por Herpes Simples Vírus, que são as duas principais ameaças à vida dessa recém-nascida.
- A alternativa A propõe manter a internação para observação clínica, sem introdução de nenhum tratamento endovenoso, por provável infecção viral autolimitada. Isso está incorreto, pois um recém-nascido com sinais de gravidade e suspeita de sepse ou Herpes Simples Vírus não pode ser apenas observado; ele precisa de tratamento imediato, pois pode piorar rapidamente.
- A alternativa B sugere iniciar antibioticoterapia empírica com oxacilina e amicacina endovenosos. Esse esquema não é o ideal para sepse neonatal, pois não cobre a Listeria monocytogenes, que é um patógeno importante nessa faixa etária e que seria coberto pela ampicilina. Além disso, não aborda a suspeita de Herpes Simples Vírus.
- A alternativa C propõe iniciar antibioticoterapia empírica com ampicilina e cefotaxima endovenosos. Esse esquema é uma boa cobertura para a sepse bacteriana neonatal, incluindo Listeria, mas ainda assim, não contempla o tratamento para a infecção por Herpes Simples Vírus, que é fortemente sugerida pelas vesículas.
- A alternativa D indica iniciar tratamento empírico com ampicilina, cefotaxima e aciclovir endovenosos. Essa é a conduta mais adequada porque a ampicilina e a cefotaxima cobrem o espectro bacteriano da sepse neonatal, incluindo Listeria, e o aciclovir é o tratamento específico para a infecção por Herpes Simples Vírus, que é uma forte suspeita neste caso devido às vesículas.
- Então, criança de 15 dias de vida, com febre, sinais de gravidade e vesículas, pense sempre em sepse neonatal e Herpes Simples Vírus, e inicie o tratamento empírico para ambos.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Prevention and management of neonatal herpes simplex virus infectionsCanadian Paediatric Society, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.