Um pediatra atende um escolar apresentando febre há um dia e odinofagia. Exame físico: estado geral preservado, hiperemia de faringe, hipertrofia amigdaliana bilateral moderada, pontos purulentos nas amígdalas e petéquias em palato. Gânglios submandibulares aumentados. Não apresenta outras alterações. Qual é o diagnóstico etiológico e a conduta mais apropriadas para esse caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos um paciente que é um escolar, o que já nos direciona para uma faixa etária importante para pensar em algumas doenças específicas, como a faringite estreptocócica.
- Ele está apresentando febre há um dia, o que indica um quadro agudo, e também odinofagia, que é a dor de garganta, um sintoma clássico de faringite.
- No exame físico, o estado geral preservado nos mostra que, apesar dos sintomas, a criança não está gravemente doente.
- A hiperemia de faringe e a hipertrofia amigdaliana bilateral moderada são achados comuns em qualquer inflamação da garganta, seja viral ou bacteriana.
- Agora, este é um dado muito importante: a presença de pontos purulentos nas amígdalas, que é o exsudato, e petéquias em palato. Esses achados são altamente sugestivos de uma infecção bacteriana, especialmente por estreptococo.
- Os gânglios submandibulares aumentados, ou seja, a adenomegalia, também reforçam a ideia de uma infecção na região da garganta.
- E, por fim, a informação de que não apresenta outras alterações é crucial, pois a ausência de sintomas como tosse, coriza, rouquidão ou conjuntivite nos ajuda a afastar uma etiologia viral mais comum.
- Juntando todos esses dados, temos um escolar com febre, dor de garganta, exsudato amigdaliano, petéquias no palato e adenomegalia submandibular, sem sinais de infecção viral de vias aéreas superiores.
- Esse conjunto de achados clínicos é altamente sugestivo de uma faringite estreptocócica, ou seja, causada pelo estreptococo do grupo A. O escore de McIsaac para essa criança seria alto, indicando uma grande probabilidade bacteriana.
- Diante de um quadro tão típico e sem a menção de disponibilidade de teste rápido ou cultura no momento da consulta, a conduta mais apropriada é iniciar o tratamento para a infecção bacteriana.
- A alternativa A sugere uma doença viral e o uso de AINE. No entanto, o quadro clínico com exsudato, petéquias em palato e adenite submandibular, além da ausência de sintomas virais como tosse ou coriza, não se encaixa em uma infecção viral típica. O AINE aliviaria os sintomas, mas não trataria a causa nem preveniria a febre reumática.
- A alternativa C também aponta para uma doença viral e propõe anti-histamínico e lavagem nasal. Esses tratamentos são indicados para resfriados comuns, que cursam com coriza e obstrução nasal, sintomas que não estão presentes no nosso paciente. O quadro de amigdalite exsudativa com petéquias em palato claramente indica uma etiologia bacteriana.
- A alternativa D sugere uma doença bacteriana, mas propõe aguardar o resultado da cultura de orofaringe. Embora seja verdade que o tratamento iniciado até nove dias do início dos sintomas ainda previne a febre reumática, em um quadro clínico tão típico e sem a disponibilidade imediata de um teste rápido, a conduta mais apropriada é iniciar o tratamento. A cultura seria mais para confirmar um teste rápido negativo, por exemplo.
- Finalmente, a alternativa B, que indica doença bacteriana e o uso de penicilina benzatina, é a mais apropriada. Com o escolar apresentando febre, exsudato, petéquias palatinas e adenomegalia, sem sintomas virais, a probabilidade de faringite por estreptococo do grupo A é alta. A penicilina benzatina intramuscular em dose única é o tratamento de escolha para prevenir a febre reumática, sendo a dose de 600.000 unidades internacionais para crianças com menos de 27 quilos.
- Então, lembre-se sempre: uma criança escolar, com febre, odinofagia, exsudato e petéquias em palato, sem sinais virais, pense sempre em faringite estreptocócica e trate para prevenir a febre reumática.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Faringite estreptocócica: benzatina — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Clinical guidance for group A streptococcal pharyngitis (CDC, 2025) · Faringotonsilites — Departamento de Otorrinolaringologia e de Infectologia (Tratado de Pediatria) (SBP, 5ª ed.) · Treatment and prevention of streptococcal pharyngitis in adults and children (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026) · Penicillin G benzathine: Pediatric drug information (Lexidrug) (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Clinical guidance for group A streptococcal pharyngitisCDC, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em