Um pediatra está atendendo um recém-nascido termo, com seis dias de vida, durante um plantão em emergência pediátrica. A genitora trouxe o RN por achar que ele estava mais sonolento e sem querer mamar há dois dias. Nega outros sintomas e refere que o pré-natal foi completo e sem problemas, e que o RN nasceu bem e não teve outras condições perinatais alteradas, recebendo alta com 24 horas de vida do alojamento conjunto. No exame físico, apresenta icterícia (+4 em +4) em todo o corpo, letárgico e com sucção débil, sem outras alterações. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico que melhor justifica esse quadro clínico:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos um recém-nascido termo, o que é importante porque nos diz que ele não tem os riscos adicionais de um prematuro.
- Ele está com seis dias de vida, o que é um período crítico para o pico de icterícia fisiológica, mas também para o surgimento de icterícias patológicas.
- A mãe relata que ele está mais sonolento e sem querer mamar há dois dias. Isso é um sinal de alerta muito importante, indicando uma mudança no estado geral do bebê.
- Ela nega outros sintomas, o que nos ajuda a focar nos achados presentes e não em um quadro infeccioso generalizado, por exemplo.
- O pré-natal foi completo e sem problemas, e o bebê nasceu bem, sem intercorrências perinatais. Isso nos afasta de causas congênitas ou problemas no parto.
- Ele recebeu alta com 24 horas de vida, o que é um fator de risco para icterícia, pois o pico de bilirrubina geralmente ocorre depois desse período e pode não ter sido detectado na alta.
- No exame físico, a icterícia é de quatro em quatro cruzes em todo o corpo, o que significa que atinge palmas e plantas, caracterizando uma icterícia zona cinco, que é grave.
- Além disso, o bebê está letárgico e com sucção débil, confirmando os sinais neurológicos de alerta que a mãe já havia percebido.
- Juntando todos esses pontos, a idade do bebê, a icterícia grave que atinge todo o corpo e os sinais neurológicos como letargia e sucção débil, nos levam a pensar em uma condição específica.
- A alta precoce com 24 horas é um fator importante, pois o pico da icterícia geralmente ocorre entre o terceiro e o quinto dia, e o bebê pode ter desenvolvido hiperbilirrubinemia significativa sem acompanhamento adequado.
- A ausência de outros sintomas ou fatores de risco para infecção, como febre ou instabilidade hemodinâmica, direciona nossa investigação para a icterícia como a causa principal dos sintomas neurológicos.
- A alternativa A, hipoglicemia, embora possa causar letargia e má sucção, geralmente ocorre nas primeiras 48 horas de vida e em recém-nascidos com fatores de risco, que não é o caso aqui. Além disso, não explica a icterícia tão intensa.
- A alternativa B, sepse neonatal, é um diagnóstico a ser considerado em recém-nascidos com letargia e má sucção. No entanto, a ausência de febre ou outros sinais de instabilidade, e a icterícia tão proeminente, tornam a encefalopatia bilirrubínica mais provável como causa primária dos sintomas neurológicos neste momento.
- A alternativa C, malformação do sistema nervoso central, é improvável. O bebê nasceu bem, mamava normalmente e os sintomas de letargia e sucção débil se instalaram há apenas dois dias, o que não é o padrão de uma malformação congênita.
- A alternativa D, encefalopatia bilirrubínica aguda, é o diagnóstico que melhor se encaixa no quadro. A icterícia zona cinco, associada à letargia e sucção débil no sexto dia de vida, são sinais clássicos da fase inicial da encefalopatia bilirrubínica aguda, que é uma emergência pediátrica.
- Então, um recém-nascido termo com icterícia grave e sinais neurológicos como letargia e má sucção, pense sempre em encefalopatia bilirrubínica aguda.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Icterícia com letargia: encefalopatia bilirrubínica — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Hiperbilirrubinemia indireta no período neonatal — Departamento de Neonatologia (SBP, 2021) · Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation (AAP, 2022) · Unconjugated hyperbilirubinemia in newborns ≥35 weeks: Escalation of care (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hiperbilirrubinemia indireta no período neonatalSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em