Criança de três anos de idade apresenta episódios de sibilância desde os cinco meses de idade, quando teve uma bronquiolite. Nunca necessitou de internação. Atualmente, está em uso de beclometasona inalatória 50 mcg 2 vezes ao dia, mas mantém necessidade de salbutamol ocasionalmente (última vez foi há duas semanas). A técnica inalatória foi revista e estava adequada. Diante desse cenário, qual é a melhor conduta?
Pela GINA 2026, salbutamol a cada duas semanas está longe de mais de duas vezes por semana, e sem sintomas noturnos nem limitação a asma está controlada: manter a dose baixa e reavaliar (C) é mais defensável que dobrar o corticoide (B, gabarito original). O enunciado traz ainda beclometasona 50 mg em vez de 50 mcg. Esta questão está disponível para estudo, sem entrar na taxa de acertos.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando os dados do caso. Primeiro, a idade da criança, que é de três anos de idade.
- Esse dado é fundamental porque as diretrizes de asma, como a GINA, têm recomendações específicas para a faixa etária de cinco anos ou menos.
- Em seguida, o histórico de sibilância desde os cinco meses de idade, após uma bronquiolite, nos indica um quadro compatível com asma.
- É importante notar que a criança nunca precisou de internação, o que sugere que a asma não é de gravidade extrema.
- Atualmente, ela está em uso de beclometasona inalatória de cinquenta microgramas duas vezes ao dia, que é uma dose baixa de corticoide inalatório para manutenção.
- Um ponto crucial é a necessidade de salbutamol ocasionalmente, sendo que a última vez foi há duas semanas.
- Essa frequência de uso do broncodilatador de resgate é um dos principais critérios para avaliar o controle da asma.
- Por fim, a técnica inalatória foi revista e estava adequada, o que elimina um fator comum de falha no tratamento.
- Agora, vamos ao raciocínio. Com base nos critérios da GINA, para asma controlada em crianças menores de cinco anos, o uso de medicação de resgate não deve ultrapassar duas vezes por semana.
- Como a criança usou salbutamol pela última vez há duas semanas, isso indica uma frequência bem abaixo do limite de duas vezes por semana.
- Além disso, o enunciado não menciona sintomas noturnos ou limitação de atividades, o que, junto com a baixa frequência de uso de resgate, sugere que a asma da criança está controlada.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere acrescentar um anti-leucotrieno, como o montelucaste.
- Embora o montelucaste seja uma opção para o passo três da GINA, a asma da criança parece estar controlada, e não há indicação para intensificar o tratamento neste momento.
- A alternativa D propõe acrescentar um broncodilatador de longa duração, como o formoterol.
- Broncodilatadores de longa duração não são recomendados para crianças menores de cinco anos, pois não há segurança e eficácia estabelecidas para essa faixa etária.
- A alternativa C sugere manter a dose de corticoide inalatório e reavaliar em um mês.
- Pela GINA, essa seria a conduta mais defensável para uma asma controlada, como parece ser o caso aqui. No entanto, o gabarito oficial da questão aponta outra resposta como correta, o que nos leva a considerá-la incorreta neste contexto.
- Por fim, a alternativa B indica aumentar a dose de corticoide inalatório para duzentos microgramas por dia.
- Esta é a alternativa considerada correta pelo gabarito oficial, mas é importante ressaltar que a questão está em revisão.
- A ressalva indica que, pela GINA, o uso de salbutamol a cada duas semanas está longe de ser um critério para descontrole, e sem outros sintomas, a asma estaria controlada. Portanto, manter a dose seria mais adequado.
- No entanto, se a asma estivesse descontrolada, dobrar a dose baixa de corticoide inalatório seria o passo três preferido da GINA para essa faixa etária.
- Além disso, o enunciado da alternativa B menciona cinquenta miligramas em vez de cinquenta microgramas, o que é um erro de unidade.
- Para finalizar, lembre-se que em uma criança com asma, a avaliação do controle é fundamental. Se o uso de medicação de resgate for infrequente e não houver outros sintomas, a asma está controlada.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Asma no pré-escolar: controlada ou não? — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Global Strategy for Asthma Management and Prevention — capítulo 11, crianças de 5 anos ou menos (Box 11-1, 11-2 e 11-3) (GINA, 2026 (relatório de maio de 2026)) · Asma na criança — Departamentos de Pneumologia e Alergia (Diretrizes brasileiras de asma) (SBP, 2020–2024) · Asthma in children younger than 12 years: Overview of initiating therapy and monitoring control (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Global Strategy for Asthma Management and PreventionGINA, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em