Um residente recebe um lactente masculino de três meses de idade, nascido a termo, parto normal, para consulta de rotina. Chega bem à consulta, em aleitamento materno, com bom banho de peso. Exame físico: ausculta cardíaca com bulhas rítmicas, discreta hiperfonese de B2, com presença de um sopro holossistólico +3/+6, melhor audível em borda esternal esquerda baixa. A principal hipótese diagnóstica é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, vamos olhar a idade do nosso paciente: um lactente masculino de três meses de idade. Essa informação é super importante porque muitas cardiopatias congênitas se manifestam ou mudam de característica com a idade, especialmente nos primeiros meses de vida.
- Ele nasceu a termo, de parto normal, o que nos diz que não temos fatores de risco como prematuridade ou intercorrências perinatais que poderiam complicar o quadro ou sugerir outras condições.
- Apesar dos achados cardíacos, o bebê chega bem à consulta, em aleitamento materno e com bom ganho de peso. Isso é um dado tranquilizador, pois sugere que a cardiopatia, se presente, não está causando uma descompensação grave ou insuficiência cardíaca significativa que impediria o crescimento.
- No exame físico, a ausculta cardíaca revela bulhas rítmicas, mas com discreta hiperfonese de B2. A hiperfonese da segunda bulha cardíaca é um sinal importante que pode indicar aumento da pressão na artéria pulmonar ou aumento do fluxo sanguíneo pulmonar.
- E aqui vem um achado crucial: a presença de um sopro holossistólico, classificado como três em seis. Um sopro holossistólico significa que ele ocupa toda a sístole, e um grau três em seis já é considerado um sopro moderadamente intenso, que não é inocente.
- A localização também é chave: ele é melhor audível em borda esternal esquerda baixa. Essa localização específica, combinada com as outras características do sopro, nos direciona para uma hipótese diagnóstica bem particular.
- Juntando o sopro holossistólico de grau três em seis, a hiperfonese de B2 e a localização em borda esternal esquerda baixa, temos um quadro muito sugestivo de uma comunicação interventricular.
- O fato de o lactente ter um bom ganho de peso aos três meses de idade, apesar desses achados, é consistente com uma comunicação interventricular de tamanho pequeno a moderado, que permite o crescimento adequado, mas já manifesta os sinais auscultatórios.
- A alternativa A sugere sopro cardíaco inocente. No entanto, um sopro holossistólico de grau três em seis, acompanhado de hiperfonese da segunda bulha, nunca é inocente. Sopro inocente é suave, geralmente grau um ou dois, e não tem alterações de bulhas.
- A alternativa B fala em persistência do canal arterial. O sopro da persistência do canal arterial é tipicamente contínuo, em maquinaria, e é melhor audível na região infraclavicular esquerda ou na borda esternal esquerda alta, o que não se encaixa com o nosso caso.
- A alternativa D propõe comunicação interatrial tipo ostium primum. A comunicação interatrial geralmente causa um sopro sistólico ejetivo suave na borda esternal esquerda alta, com desdobramento fixo da segunda bulha, o que é diferente do que auscultamos aqui.
- A alternativa C, comunicação interventricular, é a nossa principal hipótese. O sopro holossistólico rude, de grau três em seis, na borda esternal esquerda baixa, com hiperfonese da segunda bulha, é o achado clássico da comunicação interventricular, que se manifesta quando a resistência pulmonar cai nas primeiras semanas de vida.
- Então, para revisar rapidamente, em um lactente de três meses com sopro holossistólico de grau três em seis, hiperfonese de B2 e audível em borda esternal esquerda baixa, pense sempre em comunicação interventricular.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Sopro holossistólico em borda esternal baixa — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Cardiopatias congênitas: quando suspeitar e encaminhar — Departamento de Cardiologia (Tratado de Pediatria) (SBP, 5ª ed.) · Ventricular septal defect (VSD) (American Heart Association, 2025) · Isolated ventricular septal defects (VSDs) in infants and children: Anatomy, clinical features, and diagnosis (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Ventricular septal defectAmerican Heart Association, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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