Uma paciente de 14 anos de idade foi levada ao pronto atendimento com sintomas de cefaleia intensa, febre alta há dois dias e vômitos. Ao exame físico, apresentou rigidez de nuca, FC = 118 bpm, FR = 24 irpm, SpO2 = 98% e temperatura = 38,7 °C; sem déficits neurológicos focais no momento. O pediatra decidiu realizar punção lombar. A análise inicial do líquor mostrou aspecto turvo; proteínas = 220 mg/dL; glicose = 28 mg/dL (glicemia capilar = 95 mg/dL) e predominância de neutrófilos. Qual a conduta terapêutica mais apropriada para esse caso
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Começando pelo caso, temos uma paciente de 14 anos de idade.
- Ela chegou ao pronto atendimento com queixas importantes: cefaleia intensa, febre alta há dois dias e vômitos.
- Ao exame físico, um achado bem sugestivo foi a rigidez de nuca.
- A temperatura estava em 38,7 graus Celsius, confirmando a febre.
- É bom notar que, no momento, ela não apresentava déficits neurológicos focais, o que é um ponto positivo, mas não afasta a gravidade.
- A análise inicial do líquor, após a punção lombar, mostrou um aspecto turvo.
- As proteínas estavam bem elevadas, em 220 miligramas por decilitro.
- A glicose no líquor estava muito baixa, 28 miligramas por decilitro, enquanto a glicemia capilar era de 95 miligramas por decilitro. Isso nos dá uma relação glicose líquor/glicose sérica bem reduzida.
- E, por fim, o líquor apresentava predominância de neutrófilos.
- Juntando a clínica de cefaleia, febre, vômitos e rigidez de nuca com os achados do líquor – que são aspecto turvo, proteínas elevadas, hipoglicorraquia e predominância de neutrófilos – temos um quadro clássico e muito sugestivo de meningite bacteriana.
- Diante de uma forte suspeita de meningite bacteriana, a conduta deve ser imediata e agressiva para evitar sequelas graves ou até mesmo o óbito.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere o início de antiviral específico para meningite enquanto aguarda o resultado da cultura.
- Essa opção está incorreta porque, com todos os dados que temos, a meningite bacteriana é a principal hipótese. Um antiviral isolado não cobriria essa infecção grave.
- A alternativa B propõe observação em enfermaria, com hidratação oral.
- Essa alternativa está errada, pois um quadro tão grave como uma provável meningite bacteriana exige tratamento urgente, não apenas observação.
- A alternativa C fala em administração apenas de corticosteroide por 24 horas, antes de iniciar antibiótico.
- Essa conduta também está incorreta. Embora o corticoide possa ser indicado em alguns casos de meningite bacteriana, ele nunca deve atrasar o início do antibiótico, que é a terapia principal e mais urgente.
- Por fim, a alternativa D sugere o início imediato de antibioticoterapia empírica para meningite bacteriana.
- Esta é a conduta mais apropriada. Diante de uma forte suspeita de meningite bacteriana, o tratamento com antibióticos empíricos deve ser iniciado o mais rápido possível, mesmo antes da confirmação microbiológica, para garantir a melhor chance de recuperação e prevenir sequelas.
- Então, criança de 14 anos, com sinais e sintomas de meningite e líquor sugestivo de etiologia bacteriana, pense sempre em iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Meningitis and encephalitisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.