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Bebês · Para profissionais

Pele do recém-nascido: o guia da SBP de 2024, do banho às dermatoses

Higiene, hidratação e tratamento das afecções mais comuns do recém-nascido, com as tabelas da SBP e o que muda na OMS, no Ministério da Saúde e na AAP.

Equipe editorial Pediatrando Atualizado em 14 min de leitura
SBPUpToDateOMSMinistério da SaúdeAAPLexidrug

Pontos-chave

  • Vérnix não se remove nas primeiras horas; 1º banho após 24 h (mínimo de 6 h, pela OMS), salvo filho de mãe com HIV, que toma banho o mais cedo possível. Imersão de 5 a 10 min, diária ou 2 a 3×/semana; prematuro, a cada 4 dias.1
  • Limpeza com produto de pH ~5,5 (sindets), sem lauril sulfato de sódio, álcool, parabenos ou fragrâncias alergênicas. Óleo de girassol sim; de oliva, não. Emolientes para prevenir DA: evidência inconclusiva.1
  • Coto limpo e seco em parto hospitalar ou baixa mortalidade; clorexidina 4% só com mortalidade neonatal > 30/1.000 ou parto domiciliar sem material estéril. Sem sol direto e sem filtro antes dos 6 meses.1
  • Atenção à absorção percutânea: iodopovidona (hipotireoidismo), neomicina (surdez), sulfadiazina de prata (kernicterus), ácido bórico. As dermatoses transitórias, em geral, pedem só orientação.1
Neste artigo
  1. Barreira cutânea e vérnix
  2. Primeiro banho e rotina
  3. Sabonetes, óleos e hidratantes
  4. Emolientes e prevenção da dermatite atópica
  5. Coto umbilical
  6. Área de fralda
  7. Sol, icterícia e vitamina D
  8. Unhas e cabelos
  9. Tópicos com risco de toxicidade
  10. Particularidades do prematuro
  11. Dermatoses transitórias do recém-nascido
  12. Granuloma umbilical e lesões vasculares
  13. Pegadinhas de prova
  14. Perguntas frequentes
  15. Referências

1Barreira cutânea e vérnix

Até os 24 meses, o estrato córneo é cerca de 30% mais fino que o do adulto. O pH da superfície é neutro ao nascer e acidifica nos primeiros 3 meses no termo; o pH alcalino favorece dermatite atópica e colonização por S. aureus e Candida.1

O vérnix caseoso (sebo, células descamadas e lanugo) reduz a perda transepidérmica de água (TEWL), baixa o pH, tem ação antibacteriana e antioxidante e diminui o eritema. É mais abundante no termo e quase ausente no prematuro. Não deve ser removido nas primeiras horas, salvo risco de transmissão de doença materna.1

2Primeiro banho e rotina

Adiar o banho até a estabilidade térmica: a OMS indica após 24 h ou, se não for possível por razões culturais, no mínimo 6 h. O banho precoce interrompe a amamentação e o contato pele a pele e aumenta o risco de hipotermia e de desconforto respiratório. No filho de mãe HIV positiva, o primeiro banho é o mais precoce possível.1

Imersão é preferível a esponja ou pano (menos perda de calor); de 5 a 10 minutos, diária ou 2 a 3 vezes por semana, desde que se higienizem pregas, coto e área de fralda. Enrolar o bebê numa fralda de pano durante a imersão reduziu o estresse do bebê. No prematuro, banho a cada 4 dias não prejudica a microbiota e reduz a instabilidade térmica.1

As fontes divergem: Quem toma banho logo ao nascer

A SBP cita só o filho de mãe com HIV.1 O UpToDate amplia para a exposição a infecções transmissíveis: mãe com lesões genitais ativas de herpes simples, ou com HIV, hepatite B ou C; e considera incerto o melhor momento do 1º banho, com a prática de adiar de 6 a 24 h.2

3Sabonetes, óleos e hidratantes

Sabonete: pH próximo de 5,5, com tampão; sindets e sabonetes líquidos infantis são os preferidos. Evitar lauril sulfato de sódio e outros surfactantes agressivos, álcool, parabenos, metilisotiazolinona/metilcloroisotiazolinona, formaldeído e liberadores (DMDM hidantoína), corantes, óleos essenciais e fragrâncias com ftalatos ou alérgenos (limoneno, linalol, cumarina, salicilato e benzoato de benzila).1

Num estudo brasileiro, o pH dos sabonetes líquidos variou de 4,4 a 7,9 e o dos antibacterianos chegou a 11,34; só 2 traziam o pH no rótulo. Em 398 cosméticos infantis, havia perfume em 74,1% (78,3% dos sabonetes líquidos).1

Óleos: os ricos em ácido linoleico, como o de girassol, reparam melhor a barreira; os ricos em ácido oleico, como o de oliva, irritam e favorecem Malassezia (dermatite seborreica, pustulose cefálica). Preferir óleos puros, prensados a frio.1

CaracterísticaO que buscar no hidratante
pH fisiológicoManter o manto ácido e a microbiota cutânea
IngredientesUm oclusivo (vaselina, óleos mineral, de coco ou de girassol), um emoliente (ceramidas, ácidos graxos, colesterol) e um umectante (glicerina, ureia, ácido hialurônico)
Ácidos graxosMenos ácido oleico: reduz a TEWL
SegurançaEstudos de segurança e eficácia em recém-nascidos e lactentes
OutrosSem corantes; sem perfume ou com fragrâncias seguras, sem ftalatos ou alérgenos; conservantes bem tolerados; sem sensibilizantes

Quadro 1 da SBP, com os exemplos de cada classe citados no texto. Aplicar após o banho, sem acumular nas dobras; contraindicado sobre a acne neonatal, pela oclusão folicular.1

4Emolientes e prevenção da dermatite atópica

Os ensaios divergem. No BEEP (1.394 recém-nascidos de risco, emoliente diário no 1º ano), não houve prevenção de DA, asma ou rinite aos 2 nem aos 5 anos. O PreventADALL também foi negativo, mas só 27% aderiram. No STOP-AD (321 bebês), um emoliente "plus" do 4º dia aos 2 meses reduziu a DA aos 12 meses. A SBP conclui que a literatura é inconclusiva e aguarda ensaios como o PEBBLES (780 recém-nascidos).1

No tratamento da DA não há controvérsia: o emoliente é a principal medida para evitar crises, e o melhor veículo é o que a família usa com regularidade.1

As fontes divergem: Emoliente de rotina para prevenir DA

A SBP considera a evidência inconclusiva e os novos regimes promissores, e libera hidratantes diários desde o período neonatal.1 A OMS (2022) não recomenda emoliente de rotina no recém-nascido a termo saudável para prevenir doenças de pele.3 A revisão Cochrane de 2022 concluiu que a intervenção provavelmente não previne eczema e provavelmente aumenta infecção cutânea (RR 1,33), com possível aumento de alergia alimentar.4

5Coto umbilical

O coto desvitalizado é porta de entrada para onfalite, tromboflebite, celulite, fasciíte necrosante e tétano; em países de recursos limitados, a onfalite é 6 vezes mais comum no parto domiciliar. Em parto hospitalar ou baixa mortalidade neonatal: coto apenas limpo e seco; antissépticos não reduzem de forma significativa a onfalite e se associam a complicações raras, como atraso da queda e necrose de pele.1

Com mortalidade neonatal > 30/1.000 nascidos vivos ou parto domiciliar sem material estéril, a SBP cita a recomendação de clorexidina 4%, 1×/dia, na 1ª semana. A clorexidina reduz a colonização, mas retarda a mumificação; o álcool 70% retarda a mumificação sem interferir na colonização. Cabe ao pediatra individualizar. Fralda dobrada abaixo do coto; queda em 1 a 2 semanas.1

As fontes divergem: Álcool 70% no coto

A SBP orienta cuidado limpo e seco e considera o antisséptico desnecessário no ambiente hospitalar.1 A Caderneta da Criança orienta a família a passar álcool 70% após o banho.5 Vale alinhar a orientação da alta com a da maternidade.

As fontes divergem: Quando indicar clorexidina 4%

A SBP 2024 usa o critério da OMS de 2017: mortalidade neonatal > 30/1.000 ou parto domiciliar.1 A OMS, em 2022, restringiu a clorexidina 4% aos locais onde se aplicam substâncias tradicionais nocivas no coto (como esterco); nos demais, cuidado limpo e seco.3

6Área de fralda

A dermatite da área das fraldas é dermatite de contato por irritante primário (umidade, atrito, proteases e lipases fecais, pH elevado). É incomum no período neonatal imediato e aumenta a partir do 1º mês. Prevenção: troca frequente, limpeza com água e algodão, exposição ao ar e creme de barreira (óxido de zinco, dexpantenol ou petrolato), sem remoção completa a cada troca.1

O creme preventivo em todas as trocas é facultativo. A pele ocluída da fralda absorve mais os ingredientes de lenços e cremes; lenços só com tampão de pH e sem álcool, fragrâncias alergênicas, óleos essenciais ou lauril sulfato de sódio.1

Na dermatite já instalada, o UpToDate poupa as dobras no quadro irritativo (dobras acometidas sugerem Candida). Leve a moderada: barreira (petrolato, óxido de zinco). Grave, sem Candida: corticoide de baixa potência não halogenado, como hidrocortisona 1%, 1 a 2 vezes ao dia por 3 a 5 dias, com a barreira por cima (grau 2C). Com Candida: antifúngico azólico tópico 2 a 3 vezes ao dia até resolver, por até 2 semanas (2C). Nada de talco nem amido (aspiração) e nada de ácido bórico, cânfora, fenol, benzocaína ou salicilatos.6

As fontes divergem: Camada fina ou grossa de creme de barreira

A SBP recomenda uma camada que cubra as áreas de contato, sem remover tudo a cada troca, e torna o uso preventivo facultativo.1 O UpToDate, no tratamento da dermatite, aplica a barreira em camada grossa a cada troca.6

7Sol, icterícia e vitamina D

Evitar exposição solar direta antes dos 6 meses (sombrinha, boné, roupas); filtro solar não é recomendado nessa idade, por falta de estudos de segurança. Dos 6 meses aos 2 anos, incentivar filtros físicos ou minerais.1

Banho de sol é contraindicado como tratamento da icterícia: a luz solar traz ultravioleta, e a revisão Cochrane de 2021 não mostrou eficácia isolada (os estudos filtravam o UV). A vitamina D vem da suplementação, indicada no Brasil para todo termo da 1ª semana aos 2 anos. Ainda assim, 80,8% das mães entrevistadas num estudo brasileiro achavam que o recém-nascido deve tomar sol.1

As fontes divergem: Filtro solar antes dos 6 meses

A SBP não recomenda filtro solar nos primeiros 6 meses.1 A AAP aceita aplicá-lo em pequenas áreas, como o rosto, quando não há roupa protetora nem sombra.7

8Unhas e cabelos

As unhas do recém-nascido são finas, crescem cerca de 1,5 mm por dia e descolam com facilidade. Corte reto e raso, com tesoura sem ponta e lixa suave; o corte convexo é a principal causa de unha encravada. Cabelo: o mesmo produto do banho serve de xampu, secar com toques de toalha e não usar secador.1

9Tópicos com risco de toxicidade

CompostoProdutoToxicidade
ÁlcoolAntissépticoNecrose cutânea, álcool sérico elevado
BenzocaínaAnestésico de mucosaMetemoglobinemia
Ácido bóricoTalco, creme de barreiraVômitos, diarreia, convulsões, eritrodermia, morte
CorticosteroideAnti-inflamatórioAtrofia, estrias, supressão adrenal
DEET e permetrinaRepelenteNeurotoxicidade
NeomicinaAntibióticoSurdez
Compostos fenólicosDesinfetante, antissépticoNeurotoxicidade, taquicardia, acidose metabólica, metemoglobinemia, morte
IodopovidonaAntissépticoHipotireoidismo
Ácido salicílicoQueratolíticoAcidose metabólica, salicilismo
Sulfadiazina de prataAntibióticoKernicterus, agranulocitose, argiria
TacrolimoImunomoduladorNível sérico elevado
UreiaQueratolíticoUremia
Parabenos, sulfatos, fragrânciasCosméticosDesregulação endócrina, alergia
ClorexidinaAntissépticoIrritação, toxicidade sistêmica no prematuro, queimadura

Tabela 1 da SBP, adaptada de Eichenfield. Orientar a família a higienizar as mãos e usar espátula ou colher limpa, sem pôr a mão no frasco.1

10Particularidades do prematuro

A função de barreira surge por volta de 34 semanas e, conforme a prematuridade, pode levar até 3 semanas de vida para se estabelecer. A TEWL é 15 vezes maior com 25 semanas que no termo; o berço de calor radiante pode aumentá-la em até 50%, e a fototerapia, em menor grau.1

  • Envoltório plástico por curto período reduz hipotermia; curativos semipermeáveis reduzem a TEWL, mas lesam a pele na retirada.1
  • Lesões por adesivos médicos (MARSI) ocorrem com qualquer adesivo; os de silicone lesam menos.1
  • Coto limpo e seco. Para antissepsia, clorexidina 0,2% (menos irritação e queimadura que a 0,5% e sem o risco tireoidiano da iodopovidona).1
  • Óleo de coco ou de girassol pode ajudar em países em desenvolvimento; a pomada de petrolato aumentou candidemia e infecção por estafilococo coagulase-negativo em países desenvolvidos.1

11Dermatoses transitórias do recém-nascido

QuadroQuandoAchadosConduta
Eritema tóxico24–72 h; 50% dos termosMáculas eritematosas com pápulas (70%) e/ou vesicopústulas de 1–2 mm com halo (30%); poupa palmas e plantasTranquilizar; some em 2–3 dias, até 2 semanas
Melanose pustulosa transitóriaAo nascer; mais em negrosPústulas flácidas de 1–3 mm sem eritema, inclusive palmas e plantas; colarete e máculas castanhasBenigna; máculas somem em 3–6 meses
Milium50% dos recém-nascidosPápulas branco-amareladas de 1–2 mm na fronte e na região malarInvolução espontânea
Acne neonatalPrimeiras semanas (20% congênita)Pápulas eritematosas em nariz, fronte e malar, por andrógenosLimpeza, sem óleos; inflamatória persistente: peróxido de benzoíla 2,5% loção ou eritromicina 2% solução
Pustulose cefálica5 dias a 3 semanasPápulas e pústulas em face e couro cabeludo, sem comedos; MalasseziaLimpeza diária, sem óleos; extensa: imidazólico tópico (cetoconazol)
Miliária cristalinaAté 2 semanasVesículas de 1–2 mm "em gota d’água", sem eritemaControle de calor e umidade
Miliária rubra1–3 semanasPápulas e vesículas eritematosas em fronte, tronco superior e dobrasAmbiente fresco, roupas leves, sem emoliente espesso
Descamação fisiológica2º–3º dia; pico no 6º–10ºEscamas finas em mãos, pés e tornozelos; pós-termo já nasce descamandoDiferenciar de ictiose e displasia ectodérmica
Mancha mongólicaAo nascerMancha azul-acinzentada lombossacral e glúteaSome na infância; extensa e atípica pode persistir e pedir investigação
Mancha salmãoPeríodo neonatalMancha rósea que some à vitropressão; nuca, glabela, pálpebrasSome entre 1 e 3 anos; 25–50% das da nuca persistem

Parte II da SBP. A miliária profunda é rara no período neonatal (escolares e adultos). Pústulas no recém-nascido sempre pedem diferenciar as erupções benignas das infecções que exigem internação.1

A mancha mongólica imita hematoma e é um desafio na suspeita de maus-tratos; lesões extensas e persistentes podem se associar a doenças de depósito lisossômico e facomatose pigmentovascular. A mancha salmão ocorre em 70% dos caucasianos, 68% dos latinos, 59% dos afro-americanos e 22% dos asiáticos.1

12Granuloma umbilical e lesões vasculares

Granuloma umbilical: a anormalidade umbilical mais frequente; pápula eritematosa friável e úmida de 1 a 10 mm no centro do umbigo. Sem secreção (pólipo) nem urina (úraco). Tratar se não resolver até 4 semanas. Sal de cozinha é a 1ª linha (dessecante, indolor, seguro); nitrato de prata não é 1ª linha (custo, aplicações repetidas, queimadura química). USG se houver dúvida ou falha.1

As fontes divergem: Sal ou nitrato de prata no granuloma

A SBP 2024 coloca o sal de cozinha como 1ª linha e o nitrato de prata fora dela.1 O UpToDate usa nitrato de prata 75% em aplicador, 1 a 2 vezes por semana, considera o sal promissor mas ainda sem confirmação de segurança e eficácia e evita o clobetasol; na falha, ligadura ou ressecção, pensando em pólipo umbilical.8

Precursor do hemangioma infantil: mancha telangiectásica, hipocrômica ou azulada com halo hipocrômico. O hemangioma prolifera rápido até 4 a 6 meses, estabiliza até 12 e involui até 9 a 10 anos. Orientar a família a voltar se a mancha formar placa ou tumor: o ideal é tratar antes da fase de crescimento rápido, entre 15 dias e 4 a 6 meses.1

Tratamento do hemangioma infantil (UpToDate): observação ativa na maioria dos não complicados (2C); betabloqueador tópico (timolol) é alternativa nos finos e superficiais. Nos complicados ou com risco funcional ou estético (periorbitário, por exemplo), propranolol oral é a 1ª linha (1A), de preferência nas primeiras 4 a 6 semanas e até 2 a 3 meses, na fase proliferativa.9

Dose do propranolol (Lexidrug): formulação de liberação imediata, < 5 anos: 1 mg/kg/dia em 2 a 3 tomadas, subindo 1 mg/kg/dia por semana até a manutenção de 1 a 3 mg/kg/dia, por 3 a 12 meses, com retirada gradual em 1 a 3 semanas. Hemangeol (4,28 mg/mL), a partir de 5 semanas e 2 kg: 0,6 → 1,1 → 1,7 mg/kg/dose 2×/dia por 6 meses, com intervalo mínimo de 9 h. Dar depois da mamada e suspender se a criança não come: o principal risco é hipoglicemia. Confira a concentração do frasco: há 4, 4,28 e 8 mg/mL.9,10

O UpToDate concorda que as erupções vesicopustulosas benignas (eritema tóxico, melanose pustulosa transitória, miliária, pustulose cefálica, acne) resolvem sozinhas, sem terapia específica, e lista os sinais de gravidade que pedem investigação: eritema e bolhas extensas, sinais vitais alterados, prematuridade extrema, anomalias associadas e baixo ganho de peso. Sempre considerar herpes, varicela, estafilococo e Candida.11

Hemangioma congênito: presente ao nascer, violáceo, GLUT-1 negativo. RICH involui entre 6 e 14 meses; PICH, parcialmente; NICH não involui. Seguimento semanal no 1º mês e mensal até 6 meses. Acima de 5 cm, há risco de sangramento, coagulopatia e plaquetopenia transitórias e, raramente, insuficiência cardíaca: investigar com USG, hemograma, coagulograma e avaliação cardiológica.1

13Pegadinhas de prova

  • Vérnix: não remover; 1º banho após 24 h (mínimo 6 h). Exceção: filho de mãe com HIV.1
  • Banho de sol não trata icterícia. Unhas: corte reto.1
  • Eritema tóxico (24–72 h, com halo, poupa palmas e plantas) × melanose pustulosa (ao nascer, sem eritema, deixa máculas).1
  • Pustulose cefálica × acne neonatal: ausência de comedos; trata-se com imidazólico se extensa.1
  • Granuloma umbilical: sal é 1ª linha; nitrato de prata não.1
  • Iodopovidona → hipotireoidismo; neomicina → surdez; sulfadiazina de prata → kernicterus.1
  • Coto em ambiente hospitalar: limpo e seco; clorexidina 4% é exceção.1,3

Perguntas frequentes

Quando dar o primeiro banho no recém-nascido, segundo a SBP?

Após 24 horas de vida ou, se não for possível, após no mínimo 6 horas, como recomenda a OMS. O vérnix não deve ser removido nas primeiras horas. Exceção: filho de mãe HIV positiva, que deve ser banhado o mais precocemente possível.

Usar álcool 70% ou clorexidina no coto umbilical?

Em parto hospitalar ou baixa mortalidade neonatal, a SBP indica coto apenas limpo e seco. A clorexidina 4% fica para mortalidade neonatal acima de 30 por 1.000 ou parto domiciliar sem material estéril; a OMS 2022 a restringe a locais com uso de substâncias nocivas no coto.

Emoliente desde o nascimento previne dermatite atópica?

Não há prova. BEEP e PreventADALL foram negativos e o STOP-AD positivo; a SBP considera a evidência inconclusiva, a OMS não recomenda o uso de rotina com essa finalidade e a Cochrane 2022 não mostrou prevenção, com mais infecção cutânea.

Como diferenciar eritema tóxico de melanose pustulosa?

O eritema tóxico surge entre 24 e 72 horas, com pápulas e pústulas sobre halo eritematoso e poupa palmas e plantas. A melanose pustulosa está presente ao nascer, tem pústulas sem eritema, inclusive palmas e plantas, e deixa colarete e máculas castanhas.

Como tratar o granuloma umbilical?

Se não resolver até 4 semanas, a SBP indica sal de cozinha como primeira linha, por ser dessecante, indolor e seguro. O nitrato de prata não é primeira linha. USG umbilical se houver dúvida diagnóstica ou falha do tratamento.

Quais tópicos são perigosos no recém-nascido?

Pela absorção percutânea: iodopovidona (hipotireoidismo), neomicina (surdez), sulfadiazina de prata (kernicterus), ácido bórico em talcos, benzocaína (metemoglobinemia), álcool (necrose cutânea), ácido salicílico, corticosteroides e clorexidina no prematuro.

Equipe editorial Pediatrando

Conteúdo conferido em 13 de outubro de 2026 nas fontes abaixo, na ordem de prioridade: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, UpToDate e Lexidrug. Quando as fontes discordam, seguimos a SBP e mostramos a diferença.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização nº 140: Cuidados com a pele e anexos do recém-nascido: da higienização e hidratação ao tratamento. Departamentos Científicos de Dermatologia e de Neonatologia, 20 de março de 2024. O guia informa que foi elaborado com apoio de JOHNSON’S®. sbp.com.br ↗
  2. Overview of the routine management of the healthy newborn infant. UpToDate, tópico atualizado em 21 de abril de 2026 (seção First bath). uptodate.com ↗
  3. World Health Organization. WHO recommendations on maternal and newborn care for a positive postnatal experience. Genebra: OMS, 2022 (recomendações sobre o cuidado do coto umbilical e o uso de emolientes no recém-nascido). iris.who.int ↗
  4. Kelleher MM, Phillips R, Brown SJ, et al. Skin care interventions in infants for preventing eczema and food allergy. Cochrane Database Syst Rev. 2022;11(11):CD013534. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov ↗
  5. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania (Menina). 6ª edição. Brasília, 2023. Os primeiros dias de vida (banho, umbigo, cor da pele, troca de fraldas) e sinais de perigo. bvsms.saude.gov.br ↗
  6. Diaper dermatitis. UpToDate, tópico atualizado em 29 de junho de 2026. uptodate.com ↗
  7. American Academy of Pediatrics. HealthyChildren.org: Sun Safety: Information for Parents About Sunburn & Sunscreen. Atualizada em 9 de agosto de 2024. healthychildren.org ↗
  8. Care of the umbilicus and management of umbilical disorders in children. UpToDate, tópico atualizado em 13 de agosto de 2024 (revisão da literatura até setembro de 2026). uptodate.com ↗
  9. Infantile hemangiomas: Management. UpToDate, tópico atualizado em 29 de setembro de 2026. uptodate.com ↗
  10. Propranolol: Pediatric drug information (Lexidrug). Indicação: hemangioma infantil proliferativo. Consultado em 13 de outubro de 2026. uptodate.com ↗
  11. Vesicular, pustular, and bullous lesions in the newborn and infant. UpToDate, tópico atualizado em 11 de maio de 2026. uptodate.com ↗

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Material de apoio para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico, a bula nem as diretrizes originais.

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