Analise os casos clínicos a seguir: Caso 1: Maria, 10 anos de idade, apresentou-se à unidade de saúde com febre alta (38,7°C). No quarto dia, acompanhada de dor de cabeça intensa, dor retro-orbitária, mialgia e exantema maculopapular. Ela relatou também, naquele momento, uma leve dor abdominal. Ao exame físico, observou-se a presença de prova do laço positiva. A hemograma revelou plaquetopenia e aumento do hematócrito; Caso 2: João, 13 anos de idade, esteve em emergência com febre alta (39,5 °C). No 5o dia, dor de cabeça, náuseas e icterícia leve. Relatou ainda, nesse período, urina escura. Ao exame físico, icterícia e hepatomegalia. O hemograma mostrou leucopenia e plaquetopenia. A sorologia foi positiva para vírus amarílico; Caso 3: Clara, 7 anos de idade, apresentou-se com exantema maculopapular pruriginoso, febre baixa, hiperemia conjuntival e artralgia. A mãe relatou que começou a notar as manchas na pele dois dias após a febre. Além disso, Clara queixava-se de dor nas articulações, que persistia mesmo após o desaparecimento da febre. Sorologia positiva para vírus zika. Os casos clínicos apresentados referem-se, respectivamente, a quais arboviroses?
O caso 3 traz sorologia positiva para zika e um quadro típico de zika (febre baixa, exantema pruriginoso precoce, hiperemia conjuntival), mas o gabarito B classifica como chikungunya, valorizando a artralgia persistente; provável erro de transcrição do enunciado (sorologia para chikungunya) ou questão falha. B continua a mais defensável por ser a única com dengue no caso 1 e febre amarela no caso 2. Esta questão está disponível para estudo, sem entrar na taxa de acertos.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o Caso 1, da Maria. Ela tem dez anos de idade, o que nos situa no contexto pediátrico.
- A Maria apresentou febre alta de 38,7 graus Celsius, um sintoma comum em diversas arboviroses.
- No quarto dia de doença, ela começou com dor de cabeça intensa e dor retro-orbitária, que é um achado bem característico da dengue.
- Além disso, ela tinha mialgia e um exantema maculopapular, que também são sintomas comuns em arboviroses.
- A Maria relatou uma leve dor abdominal, o que é um sinal de alarme importante na dengue, indicando possível gravidade.
- Ao exame físico, a prova do laço positiva é um achado clássico da dengue, que sugere fragilidade capilar.
- E o hemograma mostrou plaquetopenia, ou seja, baixa contagem de plaquetas, e aumento do hematócrito, que indica hemoconcentração, ambos sinais de alarme e achados típicos da dengue.
- Juntando a dor retro-orbitária, a dor abdominal, a prova do laço positiva, a plaquetopenia e a hemoconcentração, o Caso 1 é claramente um quadro de dengue, inclusive com sinais de alarme.
- Agora, vamos ao Caso 2, do João, de treze anos. Ele também teve febre alta, de 39,5 graus Celsius.
- No quinto dia, o João apresentou dor de cabeça, náuseas e, o mais importante, icterícia leve, que é a coloração amarelada da pele e mucosas.
- Ele também relatou urina escura, o que pode indicar disfunção hepática ou hemólise, e ao exame físico, confirmamos a icterícia e uma hepatomegalia, ou seja, aumento do fígado.
- O hemograma mostrou leucopenia e plaquetopenia, achados que podem estar presentes na febre amarela.
- Por fim, a sorologia foi positiva para vírus amarílico, o que fecha o diagnóstico de febre amarela para o Caso 2.
- Com a icterícia, hepatomegalia e a sorologia positiva, o Caso 2 é inequivocamente um quadro de febre amarela.
- Agora, o Caso 3, da Clara, de sete anos. Ela se apresentou com um exantema maculopapular pruriginoso, ou seja, manchas na pele que coçam.
- A Clara tinha febre baixa, o que é um diferencial importante, e hiperemia conjuntival, que é a vermelhidão nos olhos.
- A mãe relatou que as manchas na pele apareceram dois dias após a febre, o que é um exantema precoce, típico da zika.
- Ela também tinha artralgia, dor nas articulações, que persistia mesmo após o desaparecimento da febre. Essa persistência da artralgia é mais sugestiva de chikungunya.
- Porém, a sorologia foi positiva para vírus zika, o que, laboratorialmente, confirma a infecção por zika.
- O Caso 3 apresenta sintomas clássicos de zika, como febre baixa, exantema pruriginoso e hiperemia conjuntival, e a sorologia positiva para zika. A artralgia persistente é um ponto de confusão, mas a sorologia é definitiva.
- A alternativa A está incorreta porque o Caso 1 não é chikungunya. A prova do laço positiva, a dor retro-orbitária, a plaquetopenia e o aumento do hematócrito com dor abdominal são achados típicos de dengue, não de chikungunya.
- A alternativa C está incorreta porque a ordem está trocada. O Caso 1 é dengue e o Caso 2 é febre amarela, não o contrário.
- A alternativa D está incorreta porque leptospirose não é uma arbovirose, e os sintomas do Caso 1, como a prova do laço positiva e a hemoconcentração, são de dengue, não de leptospirose.
- A alternativa B é considerada a correta. O Caso 1 é dengue, com os sinais de alarme. O Caso 2 é febre amarela, confirmado pela sorologia. Para o Caso 3, embora a sorologia seja positiva para zika e o quadro seja bem sugestivo de zika, o gabarito oficial classifica como chikungunya, valorizando a artralgia persistente. Esta questão está em revisão, pois o enunciado aponta para zika no Caso 3, mas a alternativa B é a mais defensável por ter os dois primeiros casos corretos.
- Então, criança com febre baixa, exantema pruriginoso e hiperemia conjuntival, pense em zika, mas fique atenta à artralgia persistente que pode indicar chikungunya, especialmente se a sorologia não estiver disponível ou for conflitante.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Dengue, febre amarela, chikungunya e zika — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança (Ministério da Saúde, 6ª ed. (2024)) · Arboviroses na infância: dengue, chikungunya, zika e febre amarela — Departamento de Infectologia (SBP, 2024) · Chikungunya: manejo clínico; Zika: protocolo de vigilância (Ministério da Saúde, 2023–2024) · Dengue virus infection: Clinical manifestations and diagnosis (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criançaMinistério da Saúde, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
Comentário atualizado em