Criança A tem o diagnóstico de Tetralogia de Fallot e após receber vacina de 2 meses, apresentou episódio de cianose severa que melhorou somente após o uso de morfina endovenosa. A criança manteve desvio de rima labial para esquerda após este evento. Criança B tem diagnóstico de coarctação de aorta e deu entrada em serviço de urgência com 2 meses de vida, apresentando vômitos e distensão abdominal severa e dolorosa. Precisou de cirurgia de ressecção de alça intestinal e ileostomia. Ambas as crianças evoluíram com complicações graves secundárias às suas cardiopatias congênitas, sendo que a criança A sofreu uma lesão cerebral e a criança B, uma lesão intestinal. Qual das alternativas apresenta as causas corretas para as complicações apresentadas?
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Resposta: B
A) A-isquemia; B-hipoxemia.
Inverte os mecanismos. Na crise do Fallot o sangue que chega ao cérebro está pouco oxigenado, e a lesão decorre da hipoxemia grave. Na coarctação, a lesão intestinal vem da queda de fluxo abaixo da obstrução, não da dessaturação.
B) A-hipoxemia; B-isquemia.
A crise hipercianótica (espasmo do infundíbulo desencadeado por choro, dor ou febre, como após a vacina) aumenta o shunt direita-esquerda e causa hipoxemia grave, com risco de lesão cerebral; trata-se com posição genupeitoral, oxigênio, morfina, volume e fenilefrina. Na coarctação, o fechamento do canal reduz o fluxo para a aorta descendente e causa isquemia mesentérica.
C) A-hipoxemia; B-hipoxemia.
Na coarctação, depois do fechamento do canal a saturação na aorta descendente é normal; o que falta é fluxo. A lesão intestinal com necessidade de ressecção decorre de hipoperfusão (isquemia mesentérica ou enterocolite necrosante), não de sangue pouco oxigenado.
D) A-isquemia; B-isquemia.
Na crise do Fallot o que cai é o fluxo pulmonar; o débito sistêmico se mantém, mas o sangue que chega aos tecidos está dessaturado. A lesão cerebral decorre principalmente da hipoxemia, não da queda de perfusão.
Resumo para lembrar
Na tetralogia de Fallot, a crise hipoxêmica (espasmo infundibular com aumento do shunt direita-esquerda) derruba a oxigenação arterial e pode lesar o cérebro. Na coarctação grave, o fechamento do canal arterial deixa a circulação abaixo do istmo sem fluxo suficiente: o problema é de perfusão (isquemia mesentérica, enterocolite, lesão renal), não de saturação.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.