Criança de 2 anos de idade, sexo masculino, é levada a uma consulta pediátrica por apresentar palidez cutâneo mucosa. No exame físico, criança com bom estado geral, hipocorado ++/4, frequência cardíaca 92 bpm, sopro sistólico II/VI BEE, frequência respiratória 29 irpm, ausência de visceromegalia palpável. Hemograma realizado mostrou: hemoglobina 7g/dl; volume corpuscular médio (VCM) de 60 fL; global de leucócitos de 5400 mm3, 45% de neutrófilos, 45% de linfócitos, 5% de eosinófilos e 5% de monócitos; plaquetas de 400.000mm3; reticulócitos de 1%. Diante desse caso, marque qual a MELHOR conduta dentre as alternativas a seguir.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança de dois anos de idade, e a idade é super importante aqui porque nos ajuda a pensar nas causas mais comuns de anemia para essa faixa etária.
- O principal motivo da consulta é a palidez cutâneo mucosa, que é um sinal clássico de anemia e nos direciona para essa investigação.
- No exame físico, o dado mais relevante é que a criança está em bom estado geral, o que indica que, apesar da anemia, ela não está com sinais de gravidade ou instabilidade hemodinâmica imediata.
- A frequência cardíaca de noventa e dois batimentos por minuto, a frequência respiratória de vinte e nove incursões respiratórias por minuto e a ausência de visceromegalia também reforçam essa estabilidade clínica e a ausência de outras patologias graves.
- O hemograma mostra uma hemoglobina de sete gramas por decilitro, o que confirma a anemia e, por ser abaixo de sete, já é considerada uma anemia grave.
- O volume corpuscular médio, ou VCM, de sessenta fentolitros, indica que essa anemia é microcítica, ou seja, as hemácias são pequenas, o que é um achado muito sugestivo de anemia ferropriva.
- Por fim, os reticulócitos de um por cento estão baixos, o que significa que a medula óssea não está produzindo novas hemácias em resposta à anemia, caracterizando uma anemia hipoproliferativa. Isso é mais um ponto a favor da anemia ferropriva, onde falta o substrato para a produção.
- Juntando todos esses dados, temos uma criança de dois anos com anemia microcítica e hipoproliferativa, mas que está clinicamente estável e em bom estado geral. Essa combinação de achados é altamente sugestiva de anemia ferropriva.
- A conduta para a anemia ferropriva em pacientes estáveis é a reposição de ferro por via oral, que é a primeira linha de tratamento.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B propõe iniciar reposição de ferro a nível hospitalar via parenteral. Essa opção está incorreta porque a criança está clinicamente estável, e o ferro parenteral é reservado para situações específicas, como má absorção ou intolerância ao ferro oral, e não exige internação rotineira.
- A alternativa C sugere internação hospitalar e indicar transfusão de concentrado de hemácias. Essa também está incorreta. A transfusão de hemácias é indicada em casos de anemia grave com repercussão hemodinâmica, como taquicardia importante, sinais de insuficiência cardíaca ou choque, o que não é o caso aqui, já que a criança está em bom estado geral.
- A alternativa D fala em internação hospitalar e indicar reposição de eritropoietina. Essa opção está errada porque a eritropoietina não trata a deficiência de ferro, que é a causa da anemia neste caso. Ela é usada em outros tipos de anemia, como as associadas à doença renal crônica.
- Finalmente, a alternativa A, que é a correta, propõe iniciar reposição de ferro a nível ambulatorial via oral. Como vimos, a criança tem uma anemia ferropriva e está clinicamente estável, então o tratamento de escolha é a suplementação de ferro por via oral, com acompanhamento ambulatorial para monitorar a resposta.
- Então, para revisar rapidamente, uma criança de dois anos, com anemia microcítica e hipoproliferativa, mas clinicamente estável, deve ser tratada com reposição de ferro por via oral em regime ambulatorial.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 2
- Prevenção e tratamento da deficiência de ferro em lactentes — atualização 2026SBP, 2026 · acesso restrito · conferida em 22/09/2026
- Caderno dos Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes — 2ª edição revisadaMinistério da Saúde, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.