Criança de 3 anos, feminino, vem apresentando resfriados recorrentes caracterizados por coriza, espirros, congestão e prurido nasal, que evoluem às vezes com muita tosse e chiado no peito. Mãe relata que os episódios se iniciaram depois que começou a frequentar creche aos 8 meses de idade e nos últimos meses vem notando que a criança faz um barulho estranho no peito e tem crise de tosse quando dá gargalhada ou chora muito. De antecedentes pessoais, refere episódio de Bronquiolite viral aguda grave aos 9 meses, com necessidade de hospitalização e suporte ventilatório, com painel viral positivo para rinovírus. Refere ainda que há um mês teve que procurar a UPA porque teve crise intensa de tosse e ficou com respiração ofegante, mas melhorou rapidamente após a administração de doses de Salbutamol em spray. Mãe relata que passou por pediatra especialista em doenças respiratórias que não observou alterações ao exame físico e solicitou exames investigatórios que estavam normais. O diagnóstico clínico mais provável é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança de três anos de idade, do sexo feminino. A idade é importante porque nos ajuda a pensar nas doenças mais prevalentes para essa faixa etária.
- Ela apresenta resfriados recorrentes com sintomas típicos como coriza, espirros, congestão e prurido nasal. O fato de serem recorrentes já acende um alerta para condições crônicas ou de base.
- Esses resfriados, às vezes, evoluem com muita tosse e chiado no peito. A presença de chiado é um sinal chave de obstrução das vias aéreas inferiores.
- A mãe relata que os episódios começaram depois que a criança iniciou a creche aos oito meses de idade. Isso é comum, pois a exposição a vírus aumenta muito nesse ambiente.
- Nos últimos meses, a mãe notou que a criança faz um barulho estranho no peito e tem crise de tosse quando ri ou chora muito. Esses são desencadeantes típicos de broncoespasmo.
- No histórico pessoal, a criança teve um episódio grave de bronquiolite viral aguda aos nove meses, com necessidade de hospitalização e suporte ventilatório, e o painel viral foi positivo para rinovírus. Bronquiolite grave na infância é um fator de risco importante para o desenvolvimento de asma.
- Há um mês, ela precisou ir à UPA por uma crise intensa de tosse e respiração ofegante, mas melhorou rapidamente após a administração de doses de Salbutamol em spray. A resposta positiva ao broncodilatador é um dado crucial.
- Por fim, a mãe menciona que um pediatra especialista em doenças respiratórias não observou alterações ao exame físico e solicitou exames investigatórios que estavam normais. Isso sugere que a criança está bem entre as crises, o que é comum em algumas condições respiratórias crônicas.
- Juntando todos esses pontos, temos uma criança pré-escolar com sintomas respiratórios recorrentes, incluindo chiado, desencadeados por riso ou choro, histórico de bronquiolite grave e uma excelente resposta ao broncodilatador. Além disso, ela não apresenta alterações entre as crises.
- Essa combinação de fatores é altamente sugestiva de uma doença respiratória crônica que se manifesta em crises, com reversibilidade da obstrução brônquica.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B, Bronquiolite obliterante, é incorreta. Embora a criança tenha tido bronquiolite grave, a bronquiolite obliterante geralmente causa uma obstrução persistente e irreversível das vias aéreas, o que não se encaixa com a melhora rápida ao Salbutamol e o exame físico normal entre as crises.
- A alternativa C, Discinesia ciliar primária, também está incorreta. A discinesia ciliar primária cursa com sintomas respiratórios crônicos desde o início da vida, frequentemente com tosse úmida persistente e infecções de repetição, além de poder ter outras manifestações como situs inversus. O quadro descrito aqui, com melhora completa entre as crises e boa resposta ao broncodilatador, não se alinha com a fisiopatologia da discinesia ciliar.
- A alternativa D, Síndrome do bebê chiador, é incorreta. Embora a criança tenha tido chiado na infância, a “síndrome do bebê chiador” é uma descrição sindrômica para lactentes. Aos três anos, com a recorrência e a resposta ao broncodilatador, já podemos ter um diagnóstico mais específico e definitivo, que é a asma.
- A alternativa A, Asma persistente, é a correta. Os sintomas recorrentes, os múltiplos desencadeantes como riso e choro, o histórico de bronquiolite grave, a idade pré-escolar e, principalmente, a resposta rápida e eficaz ao broncodilatador, com exame físico normal entre os episódios, são todos critérios que sustentam fortemente o diagnóstico de asma persistente.
- Para revisar, em uma criança pré-escolar com chiado recorrente e resposta a broncodilatadores, pense sempre em asma.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Global Strategy for Asthma Management and PreventionGINA, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.