Pular para o conteúdo
Pediatrando

Criança de 4 anos e 2 meses, previamente hígida, apresenta episódio convulsivo tônico-clônico generalizado, há aproximadamente 12 minutos, não cessando após administração de diazepam retal 0,3 mg/kg realizado em casa. Chega ao pronto-socorro ainda convulsionando, com Glasgow 8; SatO₂: 88% em ar ambiente; FC: 156 bpm; PA: 90x54 mmHg; temperatura: 38,6 °C e glicemia capilar: 92 mg/dL. Foi obtido acesso venoso periférico e administrado midazolam EV 0,2 mg/kg, porém, após 5 minutos, a crise persiste. A partir do quadro apresentado, é correto afirmar que a próxima conduta para o controle das convulsões é:

Letra solta digitada por engano após a vírgula.

Ver o gabarito comentado

Resposta: B

  1. A) Administrar nova dose de benzodiazepínico e aguardar, por 15 minutos, antes de qualquer outra intervenção.

    Após duas doses de benzodiazepínico (diazepam retal em casa e midazolam EV), uma terceira aumenta a depressão respiratória sem ganho de eficácia, e esperar mais 15 min atrasa a segunda linha. Detalhe: a dose retal de diazepam é 0,5 mg/kg; 0,3 mg/kg é a dose EV.

  2. B) Iniciar fenitoína endovenosa (15–20 mg/kg) em infusão lenta, mantendo suporte ventilatório e monitorização cardíaca contínua.

    Crise com mais de 15 min que resistiu a duas doses de benzodiazepínico é estado de mal estabelecido, e a próxima etapa é a segunda linha. Fenitoína 15 a 20 mg/kg EV a no máximo 1 mg/kg/min, diluída em soro fisiológico, com monitor cardíaco pelo risco de arritmia e hipotensão; levetiracetam 40 a 60 mg/kg é alternativa de mesma eficácia. O suporte ventilatório corrige a SatO2 de 88%.

  3. C) Administrar antitérmico endovenoso e aguardar o controle da febre antes de nova intervenção medicamentosa.

    Antitérmico trata o desconforto, mas não interrompe a crise nem previne recorrência; a febre pode ser o gatilho de um estado de mal febril, que se trata como qualquer estado de mal, sem esperar a temperatura cair.

  4. D) Realizar punção lombar imediatamente, pois a persistência da convulsão indica meningoencefalite.

    Punção lombar não se faz durante a crise nem em paciente instável; se houver suspeita de meningite, inicia-se antibiótico empírico e a punção fica para depois da estabilização. A persistência da crise por si só não define meningoencefalite.

  5. E) Encaminhar à tomografia de crânio antes de iniciar medicação anticonvulsivante de segunda linha.

    Tomografia é feita depois de controlar a crise, quando há trauma, sinais focais, suspeita de hipertensão intracraniana ou crise sem causa aparente; levar ao exame um paciente convulsionando e hipoxêmico atrasa o tratamento.

Resumo para lembrar

Crise que persiste após duas doses de benzodiazepínico (a domiciliar conta como a primeira) é estado de mal estabelecido e pede fármaco de segunda linha sem demora: fenitoína 20 mg/kg EV em 20 min, levetiracetam 40 a 60 mg/kg ou valproato 40 mg/kg, de eficácia semelhante. Oxigênio, via aérea, monitorização e glicemia seguem em paralelo.

Reportar
Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

Questões do mesmo tema