Criança de 8 anos, é acompanhada por baixa estatura e está em uso de GH recombinante humano (rhGH). Não possui outros antecedentes patológicos. A mãe está preocupada com os riscos e efeitos adversos deste medicamento, pois em sua família há história de câncer em adultos e ela leu na internet que o rhGH pode aumentar o risco de câncer. Qual é a informação correta que o pediatra pode fornecer?
Grafia atual de mieloide, sem acento, e minúsculas no nome da doença.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso clínico, que nos traz uma criança em uso de hormônio de crescimento recombinante humano, e a preocupação da mãe com os riscos de câncer.
- Ela está sendo acompanhada por baixa estatura e já está em tratamento com o hormônio de crescimento.
- É importante notar que a criança não tem outras doenças, o que simplifica um pouco a avaliação de riscos.
- A preocupação da mãe é central aqui, e ela se baseia em uma história familiar de câncer em adultos.
- Além disso, ela leu na internet que o hormônio de crescimento pode aumentar o risco de câncer, o que é uma preocupação comum e que precisamos esclarecer.
- Então, o nosso objetivo é fornecer uma informação correta e tranquilizadora para essa mãe, considerando o perfil da criança e a história familiar.
- Precisamos avaliar cada alternativa com base no que sabemos sobre o uso do hormônio de crescimento e o risco de neoplasias...
- A alternativa A afirma que na síndrome de Down, a terapia com hormônio de crescimento é formalmente contraindicada pelo risco aumentado de leucemia mieloide aguda.
- Isso não está correto, residente. Pacientes com síndrome de Down têm um risco basal aumentado de leucemia, sim, mas o uso do hormônio de crescimento exige cautela e decisão compartilhada, não sendo uma contraindicação formal.
- As contraindicações formais são outras, como neoplasia ativa ou doença crítica aguda, por exemplo.
- A alternativa B sugere que mesmo na neurofibromatose tipo 1, a reposição com hormônio de crescimento é segura, não aumentando o risco de câncer.
- Essa afirmação também não é verdadeira. Na neurofibromatose tipo 1, há um risco aumentado de tumores, como o glioma de via óptica, e não temos dados definitivos que comprovem a segurança do hormônio de crescimento nesse grupo.
- Portanto, não podemos afirmar que não aumenta o risco, e o uso, se indicado por deficiência comprovada, requer uma decisão individualizada e vigilância rigorosa.
- A alternativa D diz que em pacientes tratados por câncer na infância, a reposição com hormônio de crescimento aumenta o risco de recidiva da doença de base.
- Isso é um mito, residente. Em sobreviventes de câncer infantil, o hormônio de crescimento não aumenta o risco de recidiva da doença original.
- Não devemos negar o tratamento a quem está em remissão, geralmente após cerca de doze meses do fim da terapia.
- Pode haver um possível aumento de segunda neoplasia, especialmente meningioma após radioterapia craniana, mas isso é mais atribuído à irradiação do que ao hormônio de crescimento em si.
- Agora, vamos à alternativa C. Ela afirma que em crianças sem câncer prévio ou fatores de risco para desenvolver câncer, não há associação entre terapia com hormônio de crescimento e neoplasia.
- Essa é a informação correta e que tranquiliza a mãe, residente. Em crianças sem câncer prévio ou síndromes de predisposição, como é o caso da nossa paciente, grandes estudos de coorte, com milhares de pacientes seguidos por mais de quinze anos, não mostram aumento na incidência nem na mortalidade por câncer.
- A história de câncer em adultos na família, sem uma síndrome de predisposição identificada na criança, não contraindica o tratamento com hormônio de crescimento.
- Então, para a mãe preocupada com a filha de oito anos, sem outras doenças e com baixa estatura, podemos afirmar com segurança que o uso do hormônio de crescimento recombinante humano não aumenta o risco de câncer.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- GH safety workshop position paper: a critical appraisal of recombinant human GH therapy in children and adultsESPE/GRS/PES (Eur J Endocrinol, PubMed), 2016 · conferida em 03/10/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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