Durante o atendimento em sala de parto, nasce um recém-nascido de 37 semanas e 4 dias, após trabalho de parto complicado por prolapso de cordão umbilical. O bebê chega ao berço aquecido em apneia, e os passos iniciais da reanimação são realizados. Após 30 segundos, o recém-nascido permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm. Foi iniciada ventilação com balão e máscara, e o oxímetro de pulso pré-ductal foi colocado, mas ainda sem leitura disponível. Considerando as diretrizes de reanimação neonatal atualizadas (AHA/AAP 2025), qual deve ser a próxima conduta imediata?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar o caso clínico. Primeiro, temos um recém-nascido de 37 semanas e 4 dias. Isso nos diz que é um bebê a termo, o que é importante para as diretrizes de reanimação.
- A complicação do trabalho de parto foi um prolapso de cordão umbilical, um fator de risco significativo para asfixia perinatal.
- O bebê chega ao berço aquecido em apneia, o que já indica a necessidade de intervenção imediata.
- Os passos iniciais da reanimação já foram realizados, ou seja, o bebê foi aquecido, posicionado, vias aéreas desobstruídas e estimulado.
- Após 30 segundos, o recém-nascido permanece em apneia, mostrando que os passos iniciais não foram suficientes para iniciar a respiração espontânea.
- Nesse momento, a frequência cardíaca é de 80 batimentos por minuto. Isso é abaixo de 100 batimentos por minuto, que é o alvo, mas ainda acima de 60 batimentos por minuto.
- Foi iniciada a ventilação com balão e máscara, que é a ventilação por pressão positiva, e o oxímetro de pulso pré-ductal foi colocado, mas ainda não temos leitura da saturação de oxigênio.
- Então, temos um recém-nascido a termo que, após os passos iniciais e o início da ventilação por pressão positiva, ainda está em apneia e com a frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto.
- A persistência da apneia e da frequência cardíaca baixa, mesmo após o início da ventilação por pressão positiva, sugere que a ventilação pode não estar sendo efetiva.
- O próximo passo lógico é garantir que a técnica de ventilação por pressão positiva esteja sendo realizada corretamente para que ela possa ser eficaz.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere iniciar massagem cardíaca sincronizada porque a frequência cardíaca está abaixo de 100 batimentos por minuto.
- Essa alternativa está incorreta. As compressões torácicas só são indicadas se a frequência cardíaca estiver abaixo de 60 batimentos por minuto, e somente após a ventilação por pressão positiva ter sido efetiva por pelo menos 30 segundos.
- A alternativa C propõe repetir o ciclo de ventilação por balão e máscara, oferecendo oxigênio suplementar a 100 por cento.
- Esta alternativa está incorreta. Simplesmente repetir a ventilação ou aumentar o oxigênio para 100 por cento não vai resolver o problema se a ventilação não estiver sendo efetiva. O oxigênio a 100 por cento não é a primeira medida para um recém-nascido a termo com frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto.
- A alternativa D sugere a ventilação através de cânula traqueal devido à ventilação por máscara facial.
- Essa alternativa também está incorreta. A intubação traqueal é um passo mais avançado e é considerada após otimizar a ventilação por pressão positiva com balão e máscara e ainda assim não obter sucesso.
- Agora, a alternativa B. Ela diz para verificar se a técnica de ventilação está correta quanto à adaptação da máscara à face do recém-nascido, permeabilidade das vias aéreas e pressão exercida no balão.
- Esta é a conduta correta. Quando a frequência cardíaca não melhora após o início da ventilação por pressão positiva, o primeiro passo é otimizar a técnica. Isso inclui verificar a vedação da máscara, o posicionamento da cabeça e das vias aéreas, e a pressão adequada no balão para garantir que o ar esteja realmente chegando aos pulmões.
- Então, em um recém-nascido com ventilação por pressão positiva ineficaz, ou seja, com frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto, pense sempre em otimizar a técnica da ventilação antes de escalar para outras intervenções.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas — diretrizes de junho/2026SBP, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.