Criança, sexo feminino, 5 meses e duas semanas de vida, compareceu no pronto-socorro, com relato de tosse há cerca de 1 semana. A mãe nega contactantes sintomáticos e não observou coriza ou obstrução nasal. Refere que a criança tem crises de tosse e chegou a ficar com coloração arroxeada, cerca de duas vezes no dia, nos últimos quatro dias. Ao exame físico, está em BEG, corada, hidratada, anictérica, acianótica. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Apresenta FR de 36 irpm, FC de 120 bpm. Oroscopia com leve hiperemia de orofaringe. Restante do exame clínico sem alterações. Carteira de vacinação e de parto conforme imagens a seguir:

Considerando o principal agente etiológico envolvido, o quadro atual poderia ter sido prevenido com a vacina
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Primeiro, a idade da criança é de cinco meses e duas semanas de vida, o que nos diz que é uma lactente jovem e, portanto, mais vulnerável a certas doenças.
- Ela compareceu ao pronto-socorro com relato de tosse há cerca de uma semana, o que nos dá o sintoma principal e o tempo de evolução.
- A mãe nega contactantes sintomáticos, o que pode afastar algumas fontes de infecção, mas não elimina a possibilidade de outras transmissões.
- Um dado muito importante é que a criança tem crises de tosse e chegou a ficar com coloração arroxeada, o que sugere tosse paroxística e cianose, indicando gravidade.
- Essas crises de tosse com cianose ocorreram cerca de duas vezes no dia, nos últimos quatro dias, mostrando que são eventos recorrentes e preocupantes.
- Ao exame físico, a criança está em bom estado geral, corada, hidratada, anictérica e acianótica, o que significa que entre as crises o estado geral é bom.
- A ausculta cardíaca e pulmonar está sem alterações, o que é um achado importante, pois afasta algumas outras causas de tosse grave, como bronquiolite ou pneumonia com achados típicos.
- A frequência respiratória é de 36 incursões por minuto e a frequência cardíaca é de 120 batimentos por minuto, que são valores normais para a idade da criança.
- Por fim, a oroscopia mostra leve hiperemia de orofaringe, um achado inespecífico que pode indicar uma irritação local.
- Com base nesses dados, temos uma lactente jovem com crises de tosse paroxística e cianose, mesmo com um exame físico normal entre as crises e ausculta pulmonar limpa. Isso nos leva a pensar em um diagnóstico específico.
- Esse quadro clínico, especialmente em uma criança dessa idade, é altamente sugestivo de coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que provoca crises de tosse intensas e prolongadas, podendo levar à cianose.
- A questão nos pede sobre a prevenção para o principal agente etiológico envolvido, que, neste caso, é a coqueluche.
- A alternativa B sugere a vacina VSR para a mãe, às 20 semanas de gestação. Essa vacina não previne a coqueluche, pois é específica para o Vírus Sincicial Respiratório, que causa bronquiolite. Portanto, está incorreta.
- A alternativa C fala sobre a vacina VPC10 aos quatro meses para a paciente, como segunda dose. A vacina pneumocócica conjugada 10-valente protege contra infecções causadas pelo Streptococcus pneumoniae, não contra a coqueluche. Por isso, está incorreta.
- A alternativa D propõe a vacina INF3 aos cinco meses para a paciente, como primeira dose. A vacina influenza protege contra o vírus da gripe, e não contra a coqueluche. Além disso, a rotina de vacinação infantil contra a influenza geralmente começa aos seis meses de idade. Portanto, está incorreta.
- A alternativa A, que é a correta, sugere a vacina DTPa para a mãe, às 20 semanas de gestação. A vacinação materna com a dTpa, que inclui o componente contra a coqueluche, é fundamental para proteger o lactente nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não completou seu esquema vacinal ou não tem uma resposta imune robusta. Os anticorpos maternos passam pela placenta e oferecem essa proteção inicial.
- Então, uma criança de cinco meses com tosse paroxística e cianose, pense sempre em coqueluche e na importância da vacinação materna com dTpa para a proteção dos lactentes.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Calendário Técnico Nacional de VacinaçãoMinistério da Saúde, 2026 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.